MUX.2015 – Universidade de Aveiro

MUX.2015 – Universidade de Aveiro

Um excelente dia de trabalho e partilha com colegas da Universidade de Aveiro (e de outros locais) começou de forma excelente com a apresentação do Sam Brenner sobre o trabalho que o Cooper Hewitt desenvolveu, enquanto se encontrava encerrado ao público para obras, para conceber uma nova experiência na visita ao museu que permitisse uma exploração da colecção de forma imersiva e sem grandes distrações.

A “New Cooper Hewitt Experience” é apresentada assim no site do do museu:

Explore the digitized collection on large touchscreen tables; draw your own wallpaper designs in the Immersion Room; solve real-world design problems in the Process Lab; discover how the Carnegie Mansion worked as house; and understand how donors have influenced the museum’s collection over the last 100 years.

“Play designer” on 4K resolution touchscreen tables, developed by Ideum, and feature specialized interactive software designed by Local Projects. The 84-, 55-, and 32-inch tables use projected capacitive touch technology – the same technology found in popular tablets and smart phones. The ultra-high-definition resolution allows you to zoom in on objects to see minute details like never before.

The Collection Browser is available on seven tables installed throughout all floors of the museum, giving you access to thousands of objects in the museum’s collection, including those currently on view in the galleries. The largest tables allow up to six visitors to simultaneously explore high resolution images of collection objects, select items from the “object river” that flows down the center of each table, zoom in on object details, learn about its history, and related objects organized by design theme and motif. You can also draw a shape that will bring up a related collection object, or try their hand at drawing simple three-dimensional forms.

In the Hewitt Sisters Collect exhibition on the second floor, the People Browser application, focuses on the relationship between donors and objects in the collection. You can navigate by donor, read biographical details and learn about how objects were collected in the early 20th century.

Another screen on the second floor reveals the history of the Carnegie Mansion before it became the Cooper Hewitt. You can navigate the Mansion History application using the original floor plan of the building and browse through architectural details, original fittings and fixtures, and the quirks of the mansion’s original residents.

Esta nova experiência tem como aparelho de eleição uma “pen” que permite criar (através da interacção com os dispositivos do museu) e coleccionar os objectos que mais interessam a cada visitante. O conceito é, na minha opinião, fabuloso (e dispendioso também segundo uns cálculos simples que fiz) e representa o que de melhor se pode fazer na ligação do visitante com a colecção física e virtual (ou online se preferirem). Melhor do que poderei dizer para falar sobre esta nova experiência no Cooper Hewitt, vejam os seguintes vídeos e digam de vossa justiça.

https://vimeo.com/121152071

É tão “cool” não é? (mesmo sabendo das críticas que se podem fazer). Mas vejam lá este sobre o conceito da “pen” de que vos falei acima.

Levante a mão quem quiser dar um salto à 5ª Avenida e trocar o Guggenheim por uma tarde no Cooper Hewitt!

Além deste interessante projecto (já concretizado) os resultados do trabalho desenvolvido até agora pelo projecto CIDES.PT, com um interessante produto, apresentado pelo Vasco Branco, para explorar virtualmente as colecções de design português, que têm vindo a ser exploradas como tema principal através de diversas abordagens (museologia, design, museografia, etc.) também apresentadas na conferência pelos diferentes investigadores do projecto (um especial destaque para a apresentação do Gonçalo Gomes intitulada “Uma História Participada do Design Português: o contributo das tecnologias sociais.” com uma abordagem muito interessante sobre o papel dos media sociais num projecto de investigação que irei reter para futuro) e o excelente trabalho em curso nos serviços de documentação e museologia da UA com a documentação das colecções da Universidade fizeram com que o dia de ontem tenha sido de aprendizagem constante!

Um enorme obrigado à organização (abraço Rui e Cristina)! Hoje não pude ir, mas certamente vou arrepender-me!

Os custos da digitalização do património e a normalização

Os custos da digitalização do património e a normalização

A digitalização do património cultural é um tema que me interessa muito. Já o tinha abordado, embora sobre diferentes perspectivas, aqui, aqui e aqui. Hoje retomo o tema tendo como pretexto a leitura do excelente artigo de Martin Doerr e de Dominic Oldman, intitulado “The Costs of Cultural Heritage Data Services: The CIDOC CRM or Aggregator formats?“, publicado no blog de Dominic Oldman (que recomendo vivamente). Martin Doerr é um investigador com muita experiência nesta matéria (façam uma pequena pesquisa no google e perceberão) e Dominic Oldman é “Deputy Head of Information Systems” no British Museum e é o investigador principal no projecto Researchspace onde procura desenvolver um ambiente colaborativo de investigação online através da utilização de conjuntos de dados ricos semanticamente. Algo que perceberão melhor depois da leitura deste post (e para os com mais conhecimentos técnicos passarem por aqui) e de assistirem a estes vídeos:

http://youtu.be/HCnwgq6ebAs&w=500

http://youtu.be/HbYgaxctGV8&w=500

Voltando então ao artigo sobre os custos da digitalização do património e os custos associados, gostava que pudessem reflectir no seguinte excerto do mesmo onde os autores mencionam a necessidade de uma representação do contexto adequada, em substituição da tradicional disponibilização de dados “principais” e descontextualizados sobre os diversos objectos, como datas, medidas, autores, informação de conservação, etc., indo de encontro ao pedido por cada um dos modelos de dados dos agregadores de informação (ver como exemplo o EDM da Europeana).

The institution actually curating content must document it so that it will be not only found, but understood in the future. It therefore needs an adequate [1] representation of the context, content and objects come from and their meaning. This representation already has some disciplinary focus, and ultimately allows for integrating the more specialized author knowledge or lab data. For instance, chronological data curves from a carbon dating (C14) lab should be integrated at a museum level (2) by exact reference to the excavation event and records, but on an aggregator level (3) may be described just by a creation date.

Na opinião dos autores, com a qual eu concordo absolutamente, o custo da digitalização do património cultural poderia ser consideravelmente reduzido, se as instituições que providenciam os dados aos diferentes agregadores (museus, arquivos e bibliotecas) centrassem a sua atenção e esforços na criação de dados de acordo com o definido no CIDOC CRM (ISO 21127:2006). A principal razão para o fazerem prende-se com o facto de o CIDOC CRM possibilitar a definição de uma estrutura semântica de referência que possibilita, segundo os autores, a exportação da informação para qualquer tipo de modelo de dados definido pelos agregadores, tendo como vantagem, no futuro, a possibilidade de criar melhores sistemas de pesquisa e de investigação colaborativa na área do património cultural. Sendo uma possibilidade que nos agradará a todos (imagino eu), esta interessante ideia é concretizada (com as limitações tecnológicas actuais) na ferramenta que os vídeos atrás demonstram, no entanto, a questão principal mantém-se: será que os museus (e já agora os arquivos e bibliotecas) percebem que o trabalho que têm na documentação e gestão das suas colecções pode ser dificilmente reutilizável no futuro, caso não comecem a conhecer e trabalhar de acordo com o definido no CIDOC CRM?

É uma questão importante a ter em conta no planeamento dos projectos de documentação de qualquer colecção, não vos parece? Comentem e partilhem, se acharem o tema interessante.

© imagem: daqui.

Colecções, colecções e mais colecções

Colecções, colecções e mais colecções

Por motivos profissionais tenho procurado, com mais atenção do que costume, alguma informação sobre o estado da arte das colecções, dos processos de digitalização, de normas e procedimentos para a sua utilização, da sua publicação online, da utilização que é dada pelos museus aos conteúdos online, etc. Dessa pesquisa encontrei algumas informações que importa reter e divulgar para os potenciais interessados. Assim sendo, aqui vai:

Uma primeira referência apanhada no Twitter do @m1ke_ellis (poderão conhecer do Electronic Museum) para um documento que lista alguns dos bons exemplos de utilização inovadora e interessante das colecções on-line. Pelo que percebi é um documento em aberto e assim, caso pretendam contribuir, poderão enviar alguma informação, via twitter, para @m1ke_ellis.

Um artigo muito interessante no blog de Paul Rowe (CEO da Vernon Systems) sobre alguns dos melhores exemplos de colecções on-line de 2012 tendo em conta a procura da contribuição dos utilizadores para o conhecimento e reutilização da informação das colecções dos museus nas mais diversas plataformas. Do artigo destaco o exemplo dado sobre o Rijksmusueum (sobre o qual já falei aqui) e o da National Trust Collections (pelo volume de informação e clareza do interface). O blog do Paul Rowe é excelente. Aconselho a subscrição.

O ponto anterior (reutilização dos conteúdos) leva-nos a um outro assunto que, mais tarde ou mais cedo, teremos que encarar: os direitos associados a este tipo de conteúdos. Para reflectirem sobre o assunto aconselho consultarem o OpenGLAM (onde poderão consultar exemplos de colecções de conteúdo “aberto”) e aceder/participar numa rede de discussão sobre o assunto.

Sobre um assunto que destaquei na minha intervenção no último congresso da BAD, o estado da digitalização das colecções na Europa, importa também destacar, ainda no blog do projecto OpenGLAM, este artigo. Este é um assunto que os museus, bibliotecas e arquivos deveriam seguir, na minha opinião, com a maior das atenções. Até porque há vida para além da crise :).

Ainda sobre colecções, não posso deixar de destacar, na área da mobilidade e utilização das colecções europeias, este importante relatório sobre maneiras práticas de reduzir os custos com o empréstimo de objectos entre países da União Europeia, acompanhado por um “toolkit” nos quais os profissionais de museus encontrarão informação extremamente útil para orientar e auxiliar nos procedimentos necessários num processo de empréstimo. Um e outro são da responsabilidade do Open Method of Coordination (OMC) Working Group of eu Member States Experts on the Mobility of Collections, mas tomei conhecimento destes documentos através do site da Museums Association.

Por fim, para os interessados no assunto, recomendo ainda que possam seguir com atenção os nomeados/vencedores dos prémios “Best Practice in Collections 2013” instituídos pela Collections Trust para se celebrar as melhores práticas nesta matéria (penso que é um prémio limitado ao Reino Unido por enquanto).

E vocês? Têm alguma sugestão que possa acrescentar a este rol?

© Imagem daqui.

Colecções online – Um bom exemplo

Midas Washing at the Source of the Pactolus | Nicolas Poussin | All | European Paintings | Collection Database | Works of Art | The Metropolitan Museum of Art, New York.jpg

Podia certamente utilizar alguns dos excelentes exemplos de colecções portuguesas que se encontram online para ilustrar este post, mas confesso que poucas me agradam como a do Metropolitan Museum de Nova Iorque. Antes de mais é uma das bases de dados mais fáceis de consultar que eu conheço. Simples, eficaz e bastante regular na apresentação dos dados. Claro que apresenta, como todas as bases de dados, alguns problemas em pesquisas por uma expressão, mas ainda não conheci uma que não os tivesse. No caso do Met a pesquisa pode ser feita por departamento do Museu ou pela totalidade da colecção e é nesta última opção que encontramos maior dificuldade no filtro que pretendemos, o que é prefeitamente compreensível. No entanto, através da Advanced Search é possível obter, com muita fiabilidade e exactidão, os registos que procuramos.

Chegados a um desses registos (o exemplo acima) encontramos a melhor apresentação de informação de um objecto que conheço. Uma vez mais simples e eficaz. No topo da apresentação do registo (1) encontramos a informação sobre o número total de objectos no departamento de “European Paitings”, bem como as opções de visualização em forma de lista e de impressão do registo. Um pouco mais abaixo (2) temos a informação base do objecto (a que o Met decidiu colocar online), nomeadamente os campos Artista, Título, Data, Medium (técnica e suporte), Dimensões, Créditos e, por fim, Accessiona Number (similar ao nosso Número de Inventário). Para além da informação base é também possível visualizar uma imagem (3) do objecto que pode ser ampliada ou vista com uma ferramenta de “Zoom” e uma opção, um pouco ligada aos conceitos da web 2.0, para adicionar este registo à “My Met Gallery” criando uma espécie de galeria virtual das obras do Met que nos agradam mais. Uns favoritos, a bem dizer.

Por fim, na última parte da página, estão disponíveis um conjunto de links que nos permitem consultar mais informação sobre o objecto que estamos a visualizar (4). A Legenda (Gallery Label) que se encontra na exposição, Notas sobre o objecto (sobre a sua produção, obras similares, etc.), Proveniência (histórico de anteriores proprietários que é muito comum ser disponibilizado nos USA por motivos que ainda vão levar a um outro post, mas que estão bem claros no livro chamado “O Museu Desaparecido”), as Exposições por onde passou esta obra e, por fim, as referências bibliográficas da obra (uma excelente ideia, a meu ver).

Tudo isto apresentado de forma simples e bem estruturada, com a indicação clara e destacada sobre a possibilidade de alteração dos dados consoante a informação que será obtida através da constante pesquisa e estudo das colecções deste importante museu (2).

Sem sombra de dúvida um exemplo do melhor que se faz nesta área da presença dos museus na web.

Museu Virtual da Ciência – Universidade Coimbra

É hoje apresentado, às 16:00h o novo Museu Virtual da Universidade de Coimbra. “O MUSEU DIGITAL, um projecto que visa disponibilizar on-line uma parte significativa do acervo científico da Universidade de Coimbra…” conta com um cerca de 19000 objectos online e compõem a maior base de dados nacional de instrumentos científicos, história natural e etnografia.

Honra-me ser um membro da equipa que desenvolveu este interface de pesquisa em colaboração com a Universidade de Coimbra e que tem feito alguns projectos semelhantes com o desenvolvimento da aplicação Inweb.

O museu virtual poderá ser acedido através do site do Museu da Ciência em www.museudaciencia.pt.

A toda a equipa do Museu da Ciência e uma vez mais os meus mais sinceros parabéns pelo excelente trabalho que têm vindo a desenvolver.