Mário Brito (1953 – 2015)

Mário Brito (1953 – 2015)

Hoje acordei com a triste notícia da partida de um bom Amigo. Deixou-nos o Mário.

Conheci-o nos bancos da FLUP como professor na pós-graduação em museologia, tornou-se um Amigo dos grandes, foi e será sempre recordado por mim como um mestre. Devo-lhe, em grande parte, o meu percurso académico e profissional, porque partiu dele a iniciativa de me apresentar ao Fernando aqui na Sistemas do Futuro para um possível estágio que se tornou numa relação profissional de 15 anos e porque era quase sempre ele que me espicaçava para um novo desafio académico. Felizmente tive a oportunidade de lhe agradecer por uma e outra coisa em vida, mas ficarei para sempre agradecido pelo constante apoio e, acima de tudo, pela amizade.

Além de um bom Amigo o Mário foi sempre um excelente profissional e, por isso, ficamos na cultura e museus muito mais pobres com a sua partida.

Neste momento de dor quero deixar aqui expresso à família e amigos e, de forma especial, à Patrícia o meu profundo pesar.

Até sempre, Mário.

Museu de Aveiro – Centenário

Museu de Aveiro – Centenário

O Centenário de uma instituição, seja ela qual for, é um momento especial que deve ser festejado e exultado principalmente no tempo de crise em que vivemos. São instituições como esta, com uma história preenchida de altos e baixos, que nos permitem projectar o futuro e manter, ainda que com dificuldade, a esperança em tempos melhores.

O Museu de Aveiro é para mim uma segunda casa. Pode parecer estranho dizer isto, afinal trabalhei no museu 3 anos apenas, entre 1996 e 1999, no entanto, reconheço esses três anos como dos mais importantes para a minha vida e carreira profissional nos museus. É então com grato prazer que dou uma pequena contribuição para a divulgação da seguinte actividade comemorativa desta data especial.

Em breve darei destaque a outras actividades da comemoração do centenário do Museu de Aveiro.

José Hermano Saraiva – 1919 – 2012

José Hermano Saraiva – 1919 – 2012

Nascido em Leiria, a 3 de Outubro de 1919, começou os seus estudos na cidade natal. Ingressou mais tarde na Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas, em 1941, e em Ciências Jurídicas, em 1942.

Começou a sua carreira como professor, acrescentando depois ao seu currículo a advocacia. Entrada depois na política durante o Estado Novo, tendo em 1957 sido deputado à Assembleia Nacional e procurador às cortes. Ainda antes do 25 de Abril assumiu os cargos de procurador à Câmara Corporativa e ministro da Educação, entre 1968 e 1970, cargo no qual foi substituído por Veiga Simão após a crise académica de 1969. Em 1972 passaria a a ser o embaixador de Portugal em Brasília.

Depois do cargo diplomático, José Hermano Saraiva iniciou uma colaboração com a RTP em 1971 que se manteve até hoje. Primeiro com “Horizontes da Memória”, depois com “Gente de Paz”, “O Tempo e a Alma”, “Histórias que o Tempo Apagou” e “A Alma e a Gente”.

Um dos seus livros mais conhecidos é a “História concisa de Portugal”, já na 25.ª edição, com um total de cerca de 180 mil exemplares vendidos. Editado pela primeira vez em 1978, este título foi já traduzido em espanhol, italiano, alemão, búlgaro e chinês.

José Hermano Saraiva dirigiu também uma outra História de Portugal em seis volumes, publicada em 1981 pelas Edições Alfa. Na área da História, José Hermano Saraiva publicou perto de 20 títulos, entre eles “Uma carta do Infante D. Henrique”, “O tempo e alma”, “Portugal – Os últimos 100 anos”, “Vida ignorada de Camões” ou “Ditos portugueses dignos de memória”.

O historiador foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho, a Comenda da Ordem de N. S. da Conceição de Vila Viçosa e a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco (Brasil).

Habituei-me, muitos anos antes de sonhar sequer em tirar História, a ouvir na televisão o Prof. José Hermano Saraiva a falar sobre o País e as suas gentes com uma paixão que se sentia à distância e que, em abono da verdade, sujeitava a verdade cientifica a uma visão mais romanceada da História da nação. Algo que não me interessava nada na altura e que normalmente ouvia o meu pai e família repetir sempre que passávamos na Batalha, nos Jerónimos, no Castelo da Feira, na ponte romana de Chaves, nas belas fortificações de Elvas ou na maravilhosa vista sobre o Douro que tínhamos nas idas à Régua.

Na universidade e nos primeiros anos de vida profissional distanciei-me do historiador e dos seus programas, para alguns anos mais tarde perceber que lhe devo, em boa parte, algum deste gosto pelo património e cultura portugueses.

Foi o maior comunicador de património e tradições do país e, quanto mais não seja por isso, é uma enorme perda para o país.

© imagem daqui.
Arquivo Nelson Mandela

Arquivo Nelson Mandela

Nós somos uns privilegiados, meus caros amigos! Daqui a uns anos, com os netos sentados ao colo, vamos poder dizer que vivemos no mesmo tempo que Nelson Mandela. E contar-lhes que era um Homem dos raros, dos determinados, dos que sofreram e souberam ser maiores que o enorme sofrimento que viveram…

E os nossos netos, graças ao privilégio que é viver no nosso tempo, não precisarão (embora eu recomende vivamente que o façam) de visitar a África do Sul para conhecer o legado, as paixões, as fraquezas, a grandiosidade de Mandela. Só terão que, sentados no colo do avô, com um iPad nas mãos aceder a http://archive.nelsonmandela.org e percorrer os documentos, os filmes, as cartas, os testemunhos que a Google e o Centro de Memória de Nelson Mandela reuniram naquele soberbo site.

Um excelente trabalho que me relembra que Mandela é uma daquelas pessoas da história da humanidade que eu adorava conhecer pessoalmente e ter uma conversa de café… sei que será pedir muito, mas se por acaso alguém por aí o conhecer, façam o favor de lhe falar nisso, ok?

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=KqNI5uCuZHk]

Aditamento:

Aproveito para vos recomendar, para uma breve visita, as “curated stories” que podem ser consultadas através dos círculos que estão na parte superior do site… a que mais gostei a última “Young People”.

A morte de um génio – Steve Jobs (1955-2011)

A morte de um génio – Steve Jobs (1955-2011)

Nos últimos dias recebi inúmeras mensagens, e-mails, posts no facebook, twitts, etc., sobre a morte anunciada de um dos grandes génios do nosso tempo. Um deles mencionava que Steve Jobs nunca teria recebido um prémio internacional de relevo e que andamos a premiar pessoas sem grande impacto no Mundo em vez de premiarmos quem efectivamente muda o Mundo. Um outro referia-se a uma visita que um técnico fez a casa de Jobs e sobre a recepção simpática e calorosa que teve. O mais frequente tinha a ver com o famoso discurso em Stanford e na clara visão que Jobs tinha da vida. Em todos eles parecia estar esquecido o Jobs que era irascível e difícil como era apresentado pela imprensa de vez em quando.

Eu, macuser desde 2006, reconheço-lhe a capacidade de transformar uma coisa complicada em algo bonito e simples. Reconheço-lhe o génio como inventor, líder e gestor. E reconheço que o mundo ficou a perder com a sua partida antecipada.

Os museus, tema central deste blog, têm muito a ganhar se souberem usar algumas das ferramentas que ele criou (o iPhone e iPad, mas também o iTunes U, por exemplo) para proveito próprio e dos seus públicos. Alguns já o vão fazendo, mas as enormes possibilidades que podem ser exploradas nessas ferramentas, para divulgação e criação de conhecimento, estão ainda por explorar. Haja quem as aproveite.

Em todo o caso é, continuo a dizer apesar das crises, um enorme privilégio viver numa altura em conseguimos ter ao nosso dispor tecnologia como esta.

Thanks, Mr. Steve Jobs!

Um pequeno agradecimento

Eu tenho alguma sorte com as Isabel que vou conhecendo no mundo da museologia Nacional. A que mais me marcou, a Isabel Pereira, ex-directora do Museu Santos Rocha na Figueira da Foz e do Museu de Aveiro, foi determinante no meu percurso profissional e encorajou-me sempre a procurar mais, a aprender mais. Outra Isabel, a Isabel Silva, directora do Museu D. Diogo de Sousa em Braga, foi também determinante ao acolher-me num estágio para concluir a pós-graduação de Museologia na Universidade do Porto orientado pelo Mário Brito. Ensinou-me também muito. A terceira Isabel, a Isabel Fernandes, teve uma enorme influência na forma como vejo e penso o Museu hoje em dia.

Nunca desempenhei funções num dos museus que a Isabel Fernandes dirigiu, mas devo confessar que gostava de o ter feito. Em todo o caso a influência da Isabel Fernandes teve mais a ver com o exemplo de liderança e competência que deu à frente do Museu da Olaria e, principalmente, do Museu Alberto Sampaio em Guimarães. Em pequenas grandes coisas como a abertura do museu em horários mais alargados ou na captação de mecenas (particulares e empresas) para o restauro de peças, elaboração de exposições, etc. ela mostrou sempre uma capacidade de iniciativa invulgar e que é, na minha opinião, merecedora do maior reconhecimento por parte dos seus pares. Em boa verdade a Isabel transformou por completo o Museu Alberto Sampaio, abrindo-o à comunidade, integrando-o na comunidade, dando-lhe visibilidade e acrescentando-lhe credibilidade e inovação.

Hoje recebi um e-mail dela com um agradecimento a todos os que colaboraram com ela e o Museu desde 99 (eu tive o privilégio de o ter feito), mas sinceramente penso que somos nós que lhe devemos o mais sentido agradecimento e reconhecimento pelo excelente trabalho que desenvolveu. Fica aqui expresso publicamente esse reconhecimento e os votos de sucesso nos futuros projectos.

PS: aproveito também para endereçar os meus parabéns ao Manuel Graça pela nomeação para o novo cargo e os votos de sucesso à frente do Alberto Sampaio.