
Lua da autoria do padre Cristovão Borri (Coimbra, 1626)
Na primeira sala encontramos manuais do curso filosófico – os Conimbricenses, o livro de Álgebra (1567) de Pedro Nunes seguido pelo jesuíta matemático Clavius, um dos maiores responsáveis pela difusão da obra de Nunes na Europa, as peças de teatro das tragédias sacras acompanhadas de coros musicais encenadas pela primeira vez em Coimbra (1562), expressas em manuscritos originais do acervo da Biblioteca, entre outrosNa sala dedicada às missões jesuítas, centrada, como se compreende, na actuação da província portuguesa da Companhia, não consegui ficar indiferente, tendo em conta o tempo em que ocorreram (entre 1550 e 1650), às distâncias e lugares cobertos pelos missionários que saíam de Portugal e viajavam em condições difíceis de imaginar actualmente, literalmente até ao outro lado do mundo. A mancha que representa a província portuguesa no planisfério de Ortelius (1570) é reveladora da imensidão de mundo coberto nesta verdadeira globalização empreendida pelos jesuítas missionários. De todos os objectos que tive a oportunidade de ver, gostava de vos referir um. Uma gramática da língua Cokwe (como falo sem notas, espero não estar enganado com a etnia) feita por um missionário que possibilitava depois, para cumprir com o designío de espalhar a fé cristã, a criação de catequismo na língua daquele povo. A mesma situação encontramos também para a língua geral usada no Brasil, o tupi. Além destes, gostei também dos documentos encontrados dentro de um altar da Sé Nova, ali guardados a mando de um jesuíta após a extinção da ordem em Portugal, como forma de garantir a sua preservação e segurança face à certa destruição numa fogueira às ordens do Marquês. Nesses documentos, pelo que me disse o Pedro Casaleiro encontram-se verdadeiras raridades que estão a ser estudadas por diversos especialistas da Universidade. Esta exposição temporária poderia muito bem ser um dos elementos a incluir na (desejada) ampliação do Museu da Ciência conimbricense. Introduzia-nos a história do desenvolvimento de uma das mais antigas universidades europeias e permitia explorar temas muito interessantes sobre a relação da fé com a ciência ao longo do tempo. Além disso, mostra-nos de forma inequívoca uma relação aberta entre Portugal e o Mundo apoiada no conhecimento ciêntifico e na presença em Coimbra de relevantes cientistas ao longo da existência da Universidade. No decorrer da visita, lembrei-me de como as Universidades poderiam olhar para a sua própria história quando procuram ideias para se desenvolver. Esta relação com o mundo, com os melhores, é central neste ponto, não vos parece? Não posso deixar de agradecer ao Pedro Casaleiro esta excelente oportunidade de visita e todas as informações que me deu sobre os objectos e a história que a exposição conta. Não posso também deixar de vos recomendar uma visita ao Museu da Ciência para que vejam a exposição “Visto de Coimbra – Os Jesuítas entre Portugal e o Mundo”. Não se esqueçam que só está disponível até 18 de Março próximo.