Os Tesouros dos Museus

Os Tesouros dos Museus

As imagens que ilustram este post provêm de um artigo no The Telegraph sobre um livro de Molly Oldfield intitulado “The Secret Museum” no qual são revelados alguns dos tesouros dos museus que estão “escondidos” por questões de salvaguarda, segurança e preservação. Embora esta seja uma situação comum nos museus – a falta de dinheiro para assegurar os processos de restauros que permitiriam mostrar estas peças ou mesmo a impossibilidade de os restaurar por questões técnicas, assim o determinam – são vários os museus que procuram/encontram outras alternativas de os mostrar ao público. As colecções on-line são uma delas, livros como o que origina o artigo outros, catálogos da colecção ainda outra possibilidade à qual poderíamos ainda juntar uma boa quantidade de iniciativas neste sentido. O acesso, ainda que condicionado, a estes objectos únicos é tido como essencial para uma boa parte dos museus.

Com isto em mente lembrei-me de propor uma nova iniciativa aqui no Mouseion: a Reserva. Uma categoria de posts convidados para os museus que possam ter interesse em divulgar e dar destaque, através desta vossa casa, a um objecto da sua colecção que não possa ser mostrado ao público fisicamente, mas que possa e deva ser divulgado on-line com imagens e texto sobre a sua história. Algo semelhante ao Speaker’s Corner, portanto.

Conhecem algum museu que aceite o desafio? Importam-se de divulgar esta nova iniciativa ao maior número de museus possível? Agradeço desde já o vosso interesse e acima de tudo a participação. Podem ser objectos de museus portugueses, brasileiros, moçambicanos, angolanos, timorenses, da Guiné, de Macau, etc. ou de outros países  interessados (há excelentes objectos ligados a Portugal e à sua história em muitos museus por esse mundo fora), mas o texto sobre o objecto e a sua história deve ser escrito em português.

Para os museus interessados em participar basta que me enviem essa intenção, juntamente com o texto e imagens do objecto (cuidando eu dos devidos créditos na publicação, como é óbvio) através dos comentários.

Editado: acrescentou-se a indicação sobre a participação de museus de outros países para além de Portugal que possam estar interessados nesta iniciativa.

O meu museu é melhor que o teu

O meu museu é melhor que o teu

Uma excelente iniciativa de divulgação de museus, apresentada pela Cláudia Camacho, no Speakers’ Corner (no post anterior a este) é o programa da Speaky TV, intitulado “o meu museu é melhor que o teu” que começou pelo Museu da Carris e agora continua com o Museu da Farmácia onde, como não poderia deixar de ser, contamos com o meu querido amigo e excelente anfitrião, o João Neto. Aqui fica o vídeo deste segundo episódio do programa.

Os meus parabéns à Cláudia Camacho e ao Fernando Alvim (sim esse senhor que nos entra pelos ouvidos ao final da tarde com a bela da Prova Oral) autores do projecto e também à Speaky TV pela forma inovadora como tem agido no audiovisual nacional.

O Meu Museu é Melhor que o Teu – Cláudia Camacho

O Meu Museu é Melhor que o Teu – Cláudia Camacho

– Podia chamar-se “O meu museu é melhor que o teu”. O que achas?

– Estás a gozar…

– Não…

A ideia base era uma: acercar o meio museológico a um público mais generalista, não tão conhecedor da profundidade temática dos museus. E o rasgo inicial fez-se logo através do nome dado ao hipotético programa televisivo online (Speaky TV): “O meu museu é melhor que o teu”. Quem o pensou foi Fernando Alvim, comunicador radiofónico habituado a chegar a grandes audiências; quem teria de o aprovar seria a pessoa que iria dar a cara pelo projecto, neste caso, eu. Alguém totalmente fora das lides televisivas e sem qualquer preparação em apresentação de programas mas com uma experiência na área da curadoria e que, em todos os seus módulos formativos, incentiva os profissionais de museus a inovarem, a organizarem de forma mais apetecível as suas colecções, os percursos, a leitura singular dos objectos num contexto colectivo, a criarem novas interpretações e discursos conceptuais, a fomentar o regresso do visitante ao museu através de exposições temporárias. Em suma: a reflectir sobre a função social do museu e o carácter da experiência que o visitante, independentemente da idade, leva da visita que faz ao mesmo.

À primeira vista o nome dado ao programa pareceu-me arrojado, se tivermos em conta o ambiente formal e formalizado à volta dos museus nacionais. Mas se o nosso objectivo era desformatar essa noção teríamos então de nos afirmar de alguma maneira e chegámos à conclusão de que iríamos avançar com o título do programa tão, digamos, coloquial. A receptividade que tivemos em relação aos primeiros museus contactados fizeram-nos constatar que há uma vontade imensa em tornar o museu um espaço acessível a todos. E é esse também o principal objectivo do programa.

O facto de pedirmos que seja sempre o director do museu a nos receber tem a sua justificação: é este quem tem nas suas mãos as rédeas e parte do destino do museu que dirige (apesar das habituais contigências hierárquicas institucionais: autarquias, IMC, Rede Portuguesa de Museus, Secretaria de Estado da Cultura, etc). E sabemos que há directores mais activos do que outros. E directores mais conscientes da necessidade de reflexão e de mudança de práticas museológicas. O museu é também o retrato do director que tem. E, neste programa, damos tempo de antena para que as mais-valias do seu museu sejam divulgadas.

O programa “O meu museu é melhor que o teu” pretende, sem qualquer pretensiosismo, agitar alguma estabilidade instalada. Começámos numa fase embrionária (os museus-cobaia, salvo seja, foram os da Carris, Farmácia e Fado) e esperamos que o projecto possa vir a transformar-se numa referência na área. Se conseguirmos que mais pessoas visitem os museus nacionais ficaremos semi-descansados. A outra metade deixamos a cargo dos profissionais de cada museu e ao visitante, pois este pode ter um papel muito mais activo na divulgação do que nós pensamos.

Cláudia Camacho

Cláudia Camacho | Curadora Independente. Doutoranda em História da Arte (Facultad de Bellas Artes, Universidad Complutense, Madrid) desenvolve, actualmente, a sua tese de doutoramento sob Menção Europeia. Comissariou as exposições: High Speed Press Plate de José Luís Neto (CBA, Madrid); Se Busca Memoria Perdida de Kristoffer Ardeña (Centro 14, Alicante); Representação Portuguesa no DVD-Project (Fundação Telefónica, Peru); Contemplaciones (Festival Loop, Barcelona); For Nothing de Pedro Torres (Round The Corner, Lisboa). Curadora residente convidada pela Academy of Fine Arts and Design (Bratislava, Eslováquia) para o European Month of Photography/09, em Bratislava. Curadora portuguesa convidada para projecto Jugada a 3 Bandas, Camera Oscura, Madrid|12 e Arte Santander|12, com a exposição Histórias e Prazeres de quem Dorme (Ana Rito, Cecilia del Vale, Margarida Paiva e Johann Ryno de Wet). Organizou o Ciclo de Debates da ARTE LISBOA 2011. Formadora do módulo “Planificação e Organização de Exposições” na Restart – Instituto de Criatividade Arte e Novas Tecnologias. É coordenadora do projecto português AntiFrame – Independent Curating Project.