São anos e anos a ouvir alguns receios sobre os processos de digitalização do património cultural. Desde a utilização indevida, as questões legais, os direitos de autor, a relação predatória do digital sobre o presencial (uma outra teoria da substituição que não tem razão de ser), a monetização dos resultados, etc. são muitos os receios que tenho ouvido, com maior ou menor frequência, sobre o acesso online às coleções digitais dos museus.
Vamos, desde os primeiros anos deste século, em diversos programas de financiamento a esta tarefa. Os museus, particularmente, bem como as instituições de memória, têm usado uma quantia considerável de recursos financeiros e humanos para digitalizar e disponibilizar online as suas coleções e património que cuidam. Desde o POC (programa Operacional da Cultura), com fundos específicos para o efeito, passando por diversos apoios dados pelo PROMUSEUS ao longo dos anos, até ao corrente programa Património Cultural 360, criado com fundos do PRR, são diversos os meios que os museus foram tendo ao seu dispor para esta importante tarefa.
O principal objectivo, diria eu, é a acessibilidade ao património cultural. Ou seja, permitir que qualquer pessoa interessada possa, do conforto de sua casa, numa viagem de comboio, enquanto espera pela consulta, etc., consultar numa qualquer plataforma a informação sobre o património cultural que os museus portugueses guardam. Esse simples acesso permite aceder a conhecimento que guardamos e estimamos. Esse acesso pode ter diversas consequências: frustração, deslumbramento, questionamento, geração de ideias, novas criações, etc. que julgo importantes para o papel social que os museus procuram desempenhar. No entanto, esse acesso também suscita alguns receios nos profissionais do sector e nos responsáveis pelos museus.
Quem tem medo da digitalização? é um seminário organizado pela Acesso Cultura, onde irei, conjuntamente com a Gabriela da Rocha, procurar racionalizar os receios e medos e discutir de forma clara e crítica os desafios e oportunidades da digitalização de coleções de museus. Ainda falta algum tempo, mas podem já começar a colocar nas vossas agendas.
Quem tem medo da digitalização?
2 de Junho de 2026
Online, 9h30-12h30
Com Alexandre Matos e Gabriela da Rocha
