by Alexandre Matos | Fev 15, 2007 | Debate
O professor Michael Wesch, um antropólogo da “Kansas State University”, brinda-nos com um excelente vídeo sobre a web 2.0 e a forma como nós usamos (somos usados) pela web. Recebi o link para este vídeo através de uma mailing list que subscrevo onde se discutem diversas questões sobre a utilização da web e a sua relação com o património, mas confesso que só hoje o vi no Mundo dos Museus (agradeço desde já à Ana Carvalho por me ter lembrado de o ver).
Como a Ana também sou da opinião que os museus devem fazer recair grande parte dos seus esforços na produção de conhecimento através das novas tecnologias. Não basta apenas uma presença institucional na web, se através daquela não for possível a todos nós obtermos informação e conhecimento sobre o património que esse museu detém.
Deixo aqui também o vídeo para que reflictam sobre a velocidade de evolução e sobre a reformulação social sugerida por Michael Wesch na parte final do vídeo. Teremos mesmo que repensar tudo?
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=6gmP4nk0EOE]
Web 2.0 ... The Machine is Us/ing Us by Michael Welsh
by Alexandre Matos | Fev 9, 2007 | Debate
A acreditar no que escreve Lucinda Canelas hoje no Público os Palácios Nacionais vão mudar de tutela. Deixam o actual IPPAR (futuro IGESPAR) para as mãos do futuro ICM (actual IPM). Ao que parece a notícia carrega alguns dissabores para o IPPAR, dado que estes palácios correspondem a uma grande parte da receita deste organismo, mas se pensarmos bem não será lógico que os palácios nacionais sejam tratados como museus?
Esta é uma discussão com alguns anos. A Prof. Raquel Hentiques da Silva lembra-o bem na intervenção que é publicada nesta notícia. No entanto, analisando a questão do ponto de vista científico que melhor organismo existirá para gerir os palácios nacionais do que o ICM? Não é o Palácio da Pena, ou o Palácio da Ajuda um museu? Ou uma casa-museu se quiserem?
Ora aí está uma boa notícia da reformulação do sector cultural no Estado.
by Alexandre Matos | Jan 19, 2007 | Debate
Leio no Público de hoje (local Porto) que o IPM (já não foi criado o novo instituto?) vai comprar o Palácio de S. João Novo no Porto com a intenção de ali instalar um museu. Digo um museu, porque segundo Manuel Bairrão Oleiro, ainda há várias propostas em análise, para além da mera reinstalação do antigo Museu de Etnologia do Porto que em tempos foi ali criado.
Ocorrem-me algumas questões depois de ler apenas, resalvo apenas, esta notícia do Público:
1- Não sabendo ainda muito bem qual o propósito do imóvel que irá ser adquirido, porque motivo o IPM o vai comprar desde já? (confesso que não sei se haverá mais motivos para além deste, mas elucidem-me por favor!)
2- Foi feito algum estudo para perceber de que forma se vai implementar a oferta de mais um museu do qual ainda não se conhece o programa, a missão ou os conteúdos?
3- A Câmara do Porto é tida e achada neste processo? Não deveria ser um projecto conjunto, uma vez que, aparentemente, se trata de um museu de âmbito local/regional?
by Alexandre Matos | Jan 10, 2007 | Debate
"Indo directo ao assunto, António Rodrigues Mourinho, que deixa hoje a direcção do Museu Terras de Miranda,
acusa o Instituto Português dos Museus de ter promovido um concurso sem transparência para o afastar do cargo.
Num balanço de quase 20 anos de trabalho, o estudioso da cultura mirandesa mostra-se desapontado por não ter conseguido ampliar as instalações do museu."
In Público, 10-01-2007. Por Ana Fragoso
É neste tom que começa a notícia e entrevista ao ex-director do Museu das Terras de Miranda que se pode ler na edição de hoje do Público. Desde já friso que não conheço nenhum dos intervenientes neste processo e, por esse motivo, a minha análise não pode ser considerada parcial. Mas ao ler esta notícia não pude deixar de questionar algumas coisas relativas aos museus portugueses.
Numa primeira análise interrogo-me porque é que está uma pessoa tanto tempo à frente de uma mesma instituição. Não são 20 anos muito tempo? Reparem que eu nem sequer posso ajuizar, ou julgar o trabalho desenvolvido ao longo deste tempo por aquele responsável, mas interrogo-me se alguma vez o IPM (agora ICM) propos objectivos a alcançar e se em algum momento posterior avaliou os resultados obtidos em função dos objectivos traçados.
Uma outra questão com que me deparo é a continuidade da apropriação do património dos museus por quem lá trabalha. Mais uma vez refiro que não conheço a pessoa, nem o seu trabalho (que terá todo o mérito certamente), que era responsável por este museu, mas não consigo compreender quem afirma que em 20 anos deixou ao museu peças que recolheu, anos de investigação e trabalho como se não fosse para isso que recebia (espero eu) o seu ordenado ao fim do mês.
Uma terceira questão são os concursos públicos para a escolha dos responsáveis dos museus. A mim também me parecem ser pouco transparentes. Os critérios de avaliação numa entrevista são sempre subjectivos e as entrevistas são tudo menos públicas (ao que me é dado a saber). Se é verdade o que refere na entrevista eu acho que António Rodrigues Mourinho deveria contestar este concurso. Quanto mais não seja para aferir pelas actas quais os critérios que levam à escolha de um licenciado em detrimento de dois douturados. Eu contestaria.
Ainda relacionado com esta questão dos concursos públicos gostaria de ver esclarecida uma questão que me perturba o sono. Porque é que apenas os funcionários públicos com vínculo é que podem ser directores de um museu? Ou de outra qualquer instituição do género? Querem saber quantas pessoas eu conheço que não são funcionários públicos e que dariam excelentes directores de museus?
Por fim gostaria apenas de dizer ao Doutor António Rodrigues Mourinho que para efeitos de gestão, friso de gestão, de um museu de etnologia ou de outro qualquer o importante é que a pessoa tenha conhecimentos de gestão! Friso... de gestão. Se o associar a conhecimentos na área técnica do cargo que vai ocupar tanto melhor, mas o cargo de direcção de um museu é, na sua essência, um cargo de gestão.
by Alexandre Matos | Dez 21, 2006 | Debate, Museus
Foto: Alexandre Matos.
Público, público novo, público velho, público de meia idade, público juvenil, público indiferenciado, público com necessidades especiais, público repetido, público de circunstância, público escolar, público sénior, público, público e mais público.
Desde que o Museu esteja preparado para não frustar as expectativas de tanto público.
by Alexandre Matos | Dez 12, 2006 | Debate
"A Grécia não quer esvaziar os museus de todo o mundo. Mas, se tiverem alguma coisa que é nossa e o pudermos provar vamos reclamá-la".
Esta frase, do ministro da cultura da Grécia, demonstra bem o empenho com que os países que viram, a determinada altura da História e segundo ciscunstâncias especiais, os seus bens culturais a serem espoliados pelas nações imperiais. A Grécia, o Egipto e as antigas colónias dos grandes impérios europeus são alguns exemplos de países que viram a sua herança cultural ser espoliada. É difícil não nos colocarmos ao lado destes países, mas temos que perceber que também em Portugal esta situação poderá, mais tarde ou mais cedo, acontecer.
Mais recentemente o roubo de objectos valiosos, motivado por um crescente e proveitoso mercado de arte/coleccionismo (ao que me é dado a saber o segundo mercado ilegal mais rentável a seguir ao da droga), faz com que estas situações continuem a ocorrer. É o caso de uma coroa funerária grega que o Museu Getty adquiriu, segundo notícia do Público de hoje, a antiquários sem ter como determinar a sua origem. O governo Grego conseguiu, ao que parece, provar a propriedade do objecto e já tem acordo com o Museu para a sua devolução.
Será que no caso das jóias da Coroa roubadas recentemente o governo está com a mesma atenção do governo Grego?