by Alexandre Matos | Jun 15, 2021 | Geral
O ICOM Portugal lança, com uma perspectiva interessante, um importante desafio aos museus portugueses com o “Inquérito à presença de património proveniente de territórios não-europeus nos museus portugueses” e com os passos seguintes a que se propõe. Saber o que temos e depois saber o que fazer com o que temos é, penso eu, o mote que dirige esta iniciativa que eu recebo, enquanto profissional de museus e membro do ICOM e do CIDOC, com muito agrado e expectativa. O que temos? O que faremos com o que temos? são as perguntas que deveríamos fazer com o património que, de alguma forma, tem origem num contexto cultural distinto do nosso, do europeu. Além de as fazermos nós, devemos também perguntar a outros, que perguntas querem também fazer e responder.
Espero sinceramente que a adesão seja massiva e que este inquérito possa servir para uma reflexão sobre a documentação das nossas coleções e a representatividade do contexto cultural que ela reflecte. Têm até 15 de Outubro para responder, por isso não há qualquer desculpa para não participar.
Fica aqui a proposta do ICOM Portugal:
Numa perspetiva de conhecimento do património que temos à nossa guarda e enquanto país com uma história multissecular de contactos globais e aberto ao diálogo intercultural, o ICOM Portugal propõe um breve inquérito que visa perceber a presença de coleções e objetos extraeuropeus no contexto dos museus portugueses.
De modo a que possamos compreender a sua quantificação, distribuição pelo país, bem como o seu estado de conservação, estudo e inventariação, mas também o modo como este foram adquiridos/incorporados.
Num momento seguinte, propomo-nos contribuir para a melhor documentação destas coleções. Acreditamos que contribuiremos assim para o diálogo com os membros das diásporas originárias dos territórios representados nos museus portugueses, potenciando a sua inclusão nas estratégias de gestão e divulgação, abrindo simultaneamente caminho para parcerias internacionais.
Este inquérito, destinado às entidades museológicas públicas e privadas, pode ser preenchido e submetido até dia 15 de outubro. Os resultados serão divulgados nos Encontros de Outono 2021 do ICOM Portugal, a realizar no último trimestre e que serão dedicados ao tema.
Inquérito disponível neste link: Inquérito à presença de património proveniente de territórios não-europeus nos museus portugueses
Mais informações: info@icom-portugal.org
by Alexandre Matos | Mar 17, 2021 | Geral
O Mouseion já tem 16 anos e já teve diversas vidas. Começou no Blogpost, passou para o wordpress, ganhou autonomia com um primeiro domínio (www.mouseion.me) e, finalmente, chega a esta casa, primeiro com um tema mais escuro e, desde ontem, com uma imagem clara, mais “clean” (como os meus amigo designers gostam de dizer) e simples.
É a minha casa online. É o local onde vou “despejando”, de forma mais ou menos completa, mas sempre sincera e direta, o que me vai na alma sobre o panorama dos museus e dos profissionais dos museus em Portugal e no resto do mundo. É, sempre foi o meu intuito, um local de partilha de pensamentos, opiniões e ideias. Não só minhas, mas graças ao Speaker’s Corner (copiado por mim ao famoso local em Hyde Park, Londres e também por muitos mais) é também um local de partilha para um conjunto de amigos que muito admiro.
Tem sido também, um local de encontros. Através deste canto já conheci diversas pessoas, em Portugal e no Brasil principalmente, cujo trabalho e dedicação aos museus muito admiro. Ganhei, através desta casa, amizades que ficarão para a vida. Várias vezes pensei em torná-la bilingue, mas a preguiça é um monstro com que luto constantemente, mas que também de forma constante me vence e eu acabo acarinhando! No entanto, reconheço que poderia ter muitos mais contactos se lutasse ainda mais contra ela…
É também um bocadinho responsável por uma outra casa, partilhada com a Zé, que podem acompanhar aqui. As Conversas de Muzé são uma versão pública das conversas que tenho com a Zé (Maria José Almeida), uma excelente amiga, alma gémea da documentação e normalização, que faz o favor de aqui me acompanhar e de usar do Mouseion e da sala de visitas que é o Speaker’s Corner.
Enfim, o Mouseion é tudo isto e mais alguma coisa! Venham daí mais uns anos com esta renovada cara e, principalmente, com todos vocês que aqui me lêem!
by Alexandre Matos | Ago 10, 2015 | Geral
Hoje acordei com a triste notícia da partida de um bom Amigo. Deixou-nos o Mário.
Conheci-o nos bancos da FLUP como professor na pós-graduação em museologia, tornou-se um Amigo dos grandes, foi e será sempre recordado por mim como um mestre. Devo-lhe, em grande parte, o meu percurso académico e profissional, porque partiu dele a iniciativa de me apresentar ao Fernando aqui na Sistemas do Futuro para um possível estágio que se tornou numa relação profissional de 15 anos e porque era quase sempre ele que me espicaçava para um novo desafio académico. Felizmente tive a oportunidade de lhe agradecer por uma e outra coisa em vida, mas ficarei para sempre agradecido pelo constante apoio e, acima de tudo, pela amizade.
Além de um bom Amigo o Mário foi sempre um excelente profissional e, por isso, ficamos na cultura e museus muito mais pobres com a sua partida.
Neste momento de dor quero deixar aqui expresso à família e amigos e, de forma especial, à Patrícia o meu profundo pesar.
Até sempre, Mário.
by Alexandre Matos | Dez 31, 2014 | Geral, Museus, SPECTRUM PT
Foi um bom Ano. Cheio de novos projectos, concretização de alguns outros, continuação de outros. Para o Ano espero que continue assim, aliás que melhore em alguns pontos e certamente será quase um ano perfeito.
Este foi o ano em que concretizei (melhor dizendo, concretizamos), com a ajuda de bons amigos e de várias instituições que acreditaram no projecto, a primeira fase da implementação da norma SPECTRUM em Portugal e no Brasil com a publicação, em Agosto, da tradução e adaptação da norma, em versão digital e impressa. Um trabalho que seria impossível sem a preciosa ajuda de muitos (não nomeio todos(as) para não correr o risco de me esquecer de alguém… desculpem), mas para o qual foi essencial o empenho do amigo Gabriel Bevilacqua Moore.
Foi o ano em que comecei a colaborar, de forma mais estreita, com a Universidade onde aprendi muito do que sei sobre museus e museologia.
Foi o ano em que conheci uma quantidade enorme de excelentes profissionais de museus do Brasil. Uma comunidade vibrante, com vontade de mudar e melhorar os museus brasileiros que me fez lembrar os anos da criação da nossa RPM e aquilo que imaginávamos ser o futuro dos museus portugueses. Gente boa que me acolheu de braços abertos e com quem aprendi muito mais do que aquilo que partilhei. Entre eles ganhei novos amigos (e isso é o mais importante).
Foi o ano em que verifiquei que a comunidade profissional de museus tem uma resiliência notável. Já o imaginava, mas o teste este ano foi duro para muitos e ainda assim não vi ninguém virar a cara aos problemas. E foram alcançados feitos notáveis nos museus portugueses este ano, tendo em conta todos os constrangimentos sobre eles.
Para o ano espero que todos os meus colegas e amigos, assim como os museus e instituições onde trabalham consigam alcançar os seus objectivos e fazer, se é que é possível, ainda melhor do que este ano. Será certamente um ano difícil, mas creio que, enquanto comunidade, estamos mais do que à altura das circunstâncias.
Um excelente ano para todos!
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by Alexandre Matos | Jan 15, 2014 | Colecções, Geral
Já há muito que conheço projetos bem interessantes de social tagging em museus através dos seus repositórios digitais nos quais o mais simples dos utilizadores pode adicionar etiquetas com informação que para ele é relevante sobre as coleções. Não são uma novidade de todo, mas o caminho ou os caminhos que abrem estão, no meu entender, ainda muito pouco explorados. Quero com isto dizer que o conceito de dar uma palavra aos utilizadores e reunir, de forma mais ou menos complexa, informação que possam ter sobre as coleções é visto de forma positiva e negativa na comunidade museológica, no entanto, tal como a maior parte das inovações na documentação de coleções dos últimos 30 anos, as suas mais valias só poderão ser confirmadas ou esquecidas depois de aplicarmos na prática, em diferentes contextos e com diferentes objetos de estudo, esse mesmo conceito. Devo dizer que a ideia me fascina e julgo que os conservadores de museus e as equipas que tratam do estudo e gestão de coleções poderiam ganhar muito com esta abertura, mas compreendo também alguma relutância quanto à necessidade do museu (e seus profissionais) manterem em alta as expectativas de credibilidade de informação que normalmente detêm junto do seu público.
Dito isto hoje fui surpreendido com este projeto dos Imperial War Museums e dos National Archives: Operation War Diary – Reports From The Front. Um projeto inovador que permite a quem quiser ajudar a classificar um conjunto de documentos (diários de diversos batalhões e companhias inglesas que estiveram em diversas frentes da guerra) de acordo com diferente tipos de informação como cronologia (data e tempo), locais, pessoas, actividade das unidades, baixas, clima, vida militar, referências, etc. que nos é introduzido por um tutorial bem eficaz e simples. O projeto conta já com boas percentagens em termos das classificações para alguns dos diários disponíveis e, infelizmente para nós portugueses, é restrito a diários de unidades militares do Reino Unido, no entanto, imagino que possa ser facilmente replicado para um mesmo projeto que o Arquivo Histórico Militar ou os Museus Militares Portugueses decidissem empreender ou para outros projetos de carácter semelhante que museus e arquivos portugueses possam ter interesse em desenvolver em parceria com a Zooniverse (responsável pela plataforma e gestão da informação recolhida), uma rede de projetos de ciência de cidadãos da Citizen Science Alliance.
by Alexandre Matos | Jan 8, 2014 | Geral
2013 foi um ano excepcional!
Esta é a ideia geral que tenho sobre este ano que acabou recentemente, só não o considero o melhor ano até à data por causa da crise e dos efeitos que ela teve em pessoas próximas e porque em 2008 e 2011 nasceram os melhores filhos que um homem algum dia poderia sonhar em ter como seus! Vejam lá se não concordam comigo.
Em fevereiro, no dia 18, para começar o ano em grande concluí definitivamente o enorme trabalho que a tese de doutoramento representa. Foram 3 anos de trabalho intenso que só foram possíveis porque trabalho na melhor empresa do país, com um patrão e colegas que fariam inveja a qualquer um e porque tenho uma mulher, filhos, família e amigos que me suportam ao longo da vida como alicerces da mais forte das construções. Nesse dia o som de aprovado por unanimidade e com distinção pareceram-me as mais doces palavras do mundo (ainda que tenha a perfeita noção da responsabilidade) e, sem falta modéstia, dei o melhor de mim para as conseguir.
A seguir retomei com força o trabalho na empresa (que tinha estado a pesar os colegas) e retomei o contacto com diferentes colegas, profissionais dos bons, nos mais distintos museus por esse país, conheci novos colegas, iniciámos novos projetos aqui e fora do país num ano que teve tanto de frenético como de compensador.
A meio do caminho comecei a dar mais atenção aos projetos que envolvem a minha participação no GT-SIM da BAD e com isso consegui aprender (muito) e partilhar algum conhecimento. O culminar desta participação (desculpem-me os amigos e colegas continentais) foi a viagem aos Açores para participar no Encontro Regional da BAD Açores. Uma viagem e encontro que nunca mais esquecerei pelas pessoas que conheci, pela partilha que o encontro e jantar proporcionaram e pelo excelente dia que me proporcionaram em boa companhia para conhecer a fabulosa ilha de S. Miguel.
O projecto SPECTRUM PT ganhou uma cara nova (o site) e começamos finalmente a concretizar o que almejava com o projeto de investigação e a tradução do SPECTRUM que iniciei em 2009.
Ainda neste ano, caso ainda não estivesse contente, fui convidado pelo amigo e professor Rui Centeno (a quem devo muito do que consegui no percurso académico), para integrar o Departamento de Ciências e Técnicas de Património como Professor Afiliado na FLUP. Um convite ao qual espero conseguir corresponder com afinco e dedicação. Nesse âmbito tive a oportunidade de organizar, com vários amigos, o Seminário sobre Museus Universitários que decorreu aqui no Porto e que foi, na minha opinião, um sucesso pela qualidade das comunicações apresentadas.
No meio disto tudo uma quantidade de projetos muito interessantes foram decorrendo como a participação na conferência anual da Acesso Cultura, a participação no seminário Cibermuseologia (inserido nas comemorações do Centenário do Museu de Aveiro), a arguição de alguns mestrados muito interessantes, amigos bons que concluíram os seus trabalhos académicos, o debate sobre fotografia nos museus e muito muito mais que permitiram uma constante aprendizagem sobre matérias tão diversas como a acessibilidade, o estudo de públicos, o direito, etc. Um ano cheio e bom!
Um ano que só não foi completo porque o Mouseion, entre várias outras coisas, foram ficando para trás e não cumpri um dos objectivos do início do ano que era ter um post de fundo por semana. Este ano terei que estar mais atento a essa e outras situações.
Resta-me desejar-vos o que espero para mim em 2014: um ano cheio com saúde, felicidade, sucesso e com a crise a desaparecer!
Bom 2014!