Inquérito DOMINO – Documentação nos museus Iberoamericanos

Inquérito DOMINO – Documentação nos museus Iberoamericanos

O grupo de trabalho DOMINO (DocumentandO Museu IberomericaNO) do CIDOC (ICOM International Committee for Documentation) promove um inquérito para entender a realidade da documentação do universo de museus de língua portuguesa e espanhola. 

O conhecimento da realidade actual nos museus dos países iberoamericanos é essencial para este novo grupo de trabalho do CIDOC, porque nos permite definir uma estratégia e prioridades de actuação com base naquilo que são as dificuldades e problemas que os museus enfrentam numa realidade que é, à partida, diferente da que encontramos e conhecemos com mais detalhe nos museus anglo-saxónicos.

Assim, pede-se a todos os museus e profissionais de museus que respondam ao inquérito DOMINO abaixo disponibilizado (está em Português e Espanhol) para nos permitir consolidar esta rede de apoio à documentação em museus através de actividades e projectos que respondam aos problemas mais urgentes nesta área de especialização e território específico.

Os resultados preliminares serão apresentados durante a conferência anual do CIDOC em Tallinn (6-10 setembro 2021) e o relatório final será disponibilizado através dos canais de comunicação do CIDOC.

Inquérito DOMINO (Português)

Encuesta DOMINO (español)

Todas as questões e dúvidas sobre o inquérito podem ser colocadas através dos canais do grupo de trabalho disponíveis em http://cidoc.mini.icom.museum/es/grupos/domino/

O catálogo digital da História das Exposições de Arte da Gulbenkian

O catálogo digital da História das Exposições de Arte da Gulbenkian

Tenho tido a sorte de acompanhar, desde 2003, um conjunto de iniciativas e projetos de documentação e digitalização do vastíssimo património que a Fundação Calouste Gulbenkian detém ou tem criado ao longo da sua existência. Desde esse ano, através da Sistemas do Futuro, temos mantido uma relação muito especial com a Fundação que culminou, este ano, com a publicação do catálogo digital da História das Exposições de Arte da Gulbenkian.

Exemplo de um registo de exposição
Exemplo de registo de exposição

O projeto deste catálogo digital (sobre o qual já havia falado aqui) nasceu em 2014, a partir de uma ideia da Helena de Freitas, que já nos tinha chamado para trabalhar no catálogo raisonné do Amadeo de Souza-Cardoso, e constitui-se como um “projeto de estudo, digitalização, inventariação e divulgação da memória expositiva da Fundação Calouste Gulbenkian no campo artístico” catalogando e documentando toda a informação relativa à programação realizada entre 1957 e 2016. Um projecto ambicioso, de larga escala, que envolveu, desde o seu começo, um conjunto diversificado de competências e especialidades que contribuiram durante os últimos 7a 8 anos para a edificação do enorme recurso que a Fundação coloca agora à nossa disposição.

Em boa verdade, este catálogo digital é, em primeiro lugar, uma nova fonte de informação e estudo para os historiadores de arte (a nível nacional e internacional), mas também um repositório de informação sobre a actividade da Fundação desde 1957 que possibilitará o aparecimento de novos estudos ou de novas perspetivas sobre alguns temas já abordados, mas sem o confronto com a sistematização e organização da informação agora disponível.

Uma nova e rica fonte de informação que é fruto da colaboração entre a FCG e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa com quem temos mantido através da Sistemas do Futuro, e desde há algum tempo, alguns outros projectos colaborativos para sistemas de informação sobre diferentes tipos de património imaterial, de entre os quais destaco o LX Conventos. Esta colaboração entre a FCG e a FCSH-UNL relativamente às exposições da FCG começa aliás com a tese de doutoramento da Leonor Oliveira e concretiza-se no projecto, também apoiado pela FCT, que nos transporta virtualmente até à Primeira Exposição de Artes Plásticas de 1957 conforme podemos ler neste resumo do projecto.

Para nós na Sistemas do Futuro foi um projecto muito importante e interessante. Permitiu-nos testar um conjunto de capacidades que sabíamos ter nos sistemas de informação que desenvolvemos e responder, sem comprometer a estrutura de informação normalizada, a todas as novas solicitações e exigências que a documentação das exposições e de outras categorias de informações nos colocaram ao longo das diversas fases do projecto. Além das questões de estrutura de informação, o desafio enorme de construir, em colaboração com os técnicos da Fundação, as ferramentas que permitem a publicação dos dados tal como os vemos, foi também um processo de grande aprendizagem e partilha de conhecimento que usaremos, estou certo, em ocasiões futuras.

Foi um processo longo e, por vezes, complexo. Há decisões que é necessário tomar, no que diz respeito à gestão de informação, que tem implicações futuras e ramificações difíceis de reverter. No entanto, estou certo que ganhamos aqui uma enorme experiência sobre a forma como é possível documentar e partilhar a informação das exposições organizadas por uma instituição como a Fundação.

É esta experiência que irei colocar ao serviço do CIDOC através da minha participação ativa no grupo de trabalho “Exhibition and Performance Documentation” que o Gabriel Bevilacqua Moore fundou e que tem dirigido nos últimos anos, que procura “investigar o papel central da documentação de exposições e performances em museus e organizações relacionadas, e lidar com questões relevantes da sua preservação, acesso e da pesquisa a longo prazo” (traduzido do original da apresentação do grupo de trabalho na página do CIDOC).

Relativamente ao Catálogo Digital das Exposições da Fundação Calouste Gulbenkian espero que o usem e aproveitem. É para isso que ele foi construído e disponibilizado e é por isso que não me canso de agradecer à Fundação, à FCSH e à FCT por o tornarem possível.

DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO)

DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO)

Juntamente com um conjunto de colegas e bons amigos, membros do Comité Internacional para a Documentação do ICOM (CIDOC), conseguimos aprovar, durante a conferência anual do CIDOC de 2018 em Creta, Grécia (ver aqui a história toda), a constituição de novo grupo de trabalho, a que chamamos recentemente DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO) com o objectivo de disseminar o trabalho do CIDOC pelos países e comunidades de línguas portuguesa e espanhola e, de forma mais abrangente, chegar a outros membros com um contexto cultural comum e, também, servir de ponte linguística para partilhar conhecimento especializado com a comunidade internacional de profissionais de museus e documentação.

CC BY 2.0 Adrià Ariste Santacreu

DOMINO tem como plano desenvolver uma rede de especialistas e de boas práticas na área de documentação em museus através da identificação, desenvolvimento e/ou atualização de normas relevantes nas línguas acima referidas, procurando assim uma harmonização no desenvolvimento da documentação de coleções na comunidade ibero-americana. Procurará ser também um elemento de disseminação da especialização nesta área criando uma agenda comum de questões a ser abordada activamente pelas instituições nesta comunidade.

Alguns dos tópicos que guiarão as prioridades do grupo nos próximos anos serão:

  • Documentação de histórias e costumes tradicionais;
  • Documentação de itens digitais (born digital assets);
  • Documentação de coleções em pequenos museus rurais;
  • Políticas para apoiar a documentação de coleções;
  • Inventários nacionais e portais digitais;
  • Web semântica, Linked Data, dados abertos e iniciativas de dados abertos;
  • Experiências compartilhadas no uso de software livre para documentação de coleções e objetos.

O grupo foi formado, como poderão ler aqui, por um conjunto de colegas do CIDOC de Espanha, Brasil, Chile, México, Portugal entre outros países e terá na próxima conferência do CIDOC, a realizar online entre 7 e 10 de Dezembro próximo, o seu primeiro conjunto de atividades com um workshop, um painel de discussão e uma sessão do grupo de trabalho nas quais os interessados poderão participar de forma gratuita, sendo apenas necessário fazer o registo.

Aliás, a conferência do CIDOC deste ano, como muitas outras de comités internacionais do ICOM, será realizada online e a participação é completamente gratuita, sendo necessário, como habitualmente, o processo de registo através deste link. O programa e demais informações do CIDOC 2020 estão disponíveis em https://cidoc.mahgeneve.news/en/home/

Juliana Rodrigues Alves – Defesa de Doutoramento

Juliana Rodrigues Alves – Defesa de Doutoramento

Parece que foi ontem, sentado na mesa de reuniões da sala do Gabriel na Estação da Luz, em São Paulo, que tive a primeira conversa com a Ju. Parece que foi ontem, mas acho que aquilo aconteceu há uns bons 7 ou 8 anos atrás e, desde então, o mundo deu umas voltas grandes.

A Ju deu-me nesse dia o privilégio de poder ser orientador da tese de doutoramento que estava a pensar em fazer. Recordo-me bem de ter dito que achava muito interessante o tema e que teria todo o gosto em ajudar no que estivesse ao meu alcance. Hoje, a esta distância, vejo que foi a Ju que me ajudou bem mais e que é o sonho de qualquer orientador. Um poço de vontade e dedicação sem fundo, a mais organizada das investigadoras, a mais ciente das dificuldades e dos obstáculos pela frente, a mais trabalhadora, enfim… apenas a vontade de deixar tudo perfeito, conseguiu que se atrasasse na redação do texto e fez com que tivéssemos de andar a ler a tese a velocidade elevada para cumprir os prazos de entrega. No meio disto tudo foi mãe!

Se tal não bastasse para sentir o maior orgulho na Ju e no seu trabalho, durante o período de investigação colaborou com a BAD, com o CIDOC, comigo aqui e ali, com o Mu.SA, enfim… nem vos conto.

Juliana Rodrigues Alves

Agora que chegamos a este ponto, podem todos vocês assistir (online) e deixar os vossos parabéns à Ju, por esta excelência de trabalho que irá defender no próximo dia 26 de outubro de 2020 às 14h30m na Sala de Reuniões da FLUP e que podem seguir por Videoconferência – Plataforma Colibri/Zoom (mais informações).

A tese que a Juliana irá defender tem o título “Avaliação para gestão de coleções em museus: Uma proposta de indicadores de desempenho com basena norma SPECTRUM” e será uma excelente ferramenta para que os museus avaliem a qualidade da documentação das suas coleções.

Apareçam que valerá a pena!

O que há num nome?

O que há num nome?

O que é aquilo? Como é que eu identifico aquele objecto? O que lhe devo chamar? Como devemos chamar aos objectos que temos nas nossas colecções? Para que é que isto interessa? A quem é que isto interessa?

Há muito tempo atrás, ainda trabalhava no Museu de Aveiro, ouvi pela primeira vez a palavra “cibório”. Se não me atraiçoa a memória, foi nas reservas do Museu, à procura de um outro objecto qualquer para uma exposição, e foi um comentário de um colega, muito conhecedor da colecção, sobre a beleza de um cibório, que vendo a minha cara de ignorância logo completou… “a píxide… aí à tua frente!”. Na altura respondi-lhe “Santinho”! Fica sempre bem para disfarce de ignorância, mas na realidade não fazia a mínima ideia do que era um cibório. Para os que estão sintonizados com o meu eu da altura, deixo abaixo o significado de cibório no dicionário da Priberam:

ci·bó·ri·o
(latim ciborium, -ii, do grego kibórion, -ou, vaso de sementes, taça)
substantivo masculino

  1. Vaso sagrado, com tampa, em que se guardam as hóstias ou partículas consagradas. = PÍXIDE
  2. Vaso para mantimentos.
  3. [Arquitectura]  Baldaquino com que se cobria altares ou estátuas.Confrontar: zimbório.

Palavras relacionadas: píxidezimbóriosacrário.

“cibório”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/cib%C3%B3rio [consultado em 24-01-2020].

Tirando esta, aprendi mais umas quantas centenas de nomes (ou designações de objectos, ou designações comuns ou nomes comuns para deixar algumas das formas que usamos para identificar este tipo de informação), desde então até agora, com dezenas de amigos e colegas que trabalham em museus.

Entre elas, lembro-me, por exemplo de tric-li-trac, agogô, almotolia, arcabuz, chambaril, cofió, polvorinho, reque-reque, selha, etc. Mas perdi a conta à quantidade de nomes interessantes que damos às coisas. Uns mais eruditos, outros mais óbvios, outros estranhos, os nomes (designações, nome comum, etc.) que damos aos objectos são a forma mais óbvia de encontrar a informação sobre um objecto, ou conjunto de objectos, dentro de um sistema de informação e gestão de colecções. É por isto que é relevante, no momento do seu cadastro, inventário ou catalogação, escolher o nome correcto a atribuir a cada objecto. Não pode ser, não deve ser, assim como noutras categorias de informação, uma escolha leviana, mas em muitos casos é uma escolha que se revela complicada e, em determinados casos, exige a ajuda de especialistas de determinada área científica.

Para melhor exemplificar o que digo, peço-vos uma ajuda, digam-me lá o que chamariam a este objecto?

Imagem de instrumento científico

Alguém sabe? Eu confesso que nem imaginava antes de procurar um exemplo para este texto. Isto é um Sifão de Reiselius, um instrumento científico utilizado em Física, mecânica de fluídos, para ser mais exacto sobre o qual podem saber mais no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e cuja definição encontram no Thesaurus de Acervos Científicos em Língua Portuguesa. Pesquisei no google (apenas uma referência ao thesaurus e uma outra a um texto do MAST no Rio de Janeiro) e Wikipedia (0 artigos em Português e Inglês) para perceber se encontrava alguma coisa, mas nada!

Como este objecto e nos mais diversos tipos de colecções que possam imaginar, há seguramente um conjunto de objectos que não conseguimos nomear facilmente. Desde objectos originários de culturas distintas, objectos usados em contextos locais, instrumentos de áreas científicas muito específicas, objectos que não são comuns ou que foram comuns em determinadas épocas, mas caíram em desuso, entre outros, são muitos os casos onde a dificuldade em encontrar o nome certo é grande para quem necessita de os inventariar ou catalogar correctamente.

Neste sentido, é imperativo que existam ferramentas como os vocabulários controlados, listas de termos, thesaurus, ao dispor dos museus e dos seus profissionais, através das quais seja possível escolher, entre os diversos termos, o mais apropriado para atribuir o nome (ou outra categoria de informação que deva recorrer a vocabulários controlados) a cada objecto. O Thesaurus de Acervos Científicos em Língua Portuguesa é um excelente exemplo destas ferramentas, mas infelizmente é um dos poucos casos existentes em português que serve os museus da lusofonia (há outros, mas são curtos).

Chego a este tema, porque hoje recebi a notícia que o thesaurus Nomenclature for Museum Cataloging, criado em 1978, por Robert G. Chenhall, está agora disponível como Linked Open Data (LOD) e para download, em Inglês e Francês, por cortesia da Canadian Heritage Information Network (e outros parceiros).

Nomenclature for Museum Cataloging é uma lista estruturada e controlada de termos organizados num sistema de classificação para fornecer uma base de indexação e catalogação de coleções de objetos feitos pelo homem, conforme afirmam no site da norma. É utilizada frequentemente por museus da América do Norte, mas tem sido citada como um excelente exemplo por museus e profissionais em diversos países e contextos.

Na minha opinião, poderia ser um dos muitos e bons thesaurus a traduzir para português ou, pelo menos, a servir de exemplo para criar em Portugal um projecto de criação/adaptação de ferramentas de suporte na área dos vocabulários (e já agora, porque não, de outras normas) que pudesse criar ou adaptar normas existentes na área do património cultural.

Um projecto destes teria, obrigatoriamente, de ter o suporte de uma organização forte na área dos museus. A Rede Portuguesas de Museus seria, evidentemente a minha primeira (única) escolha, se a tivéssemos sabido estimar e engrandecer com o contributo de todos os museus parceiros, mas não existindo a rede, julgo que teria que ser a Direção Geral do Património Cultural a assumir as despesas de um projecto com esta dimensão e complexidade.

Não me parece, a avaliar pelo que se conhece, que a DGPC se aventure a fazê-lo. Mas se o fizesse com todos os museus, de forma estruturada e aberta, seria o primeiro da fila a bater palmas!

Entretanto vou usando as luvas para aquecer as mãos!

A colecção (meia) desaparecida

A colecção (meia) desaparecida

Trabalho com questões de inventário e gestão de colecções há mais de 20 anos. Sim, eu sei, estou velho! Mas esta velhice, dá-me um pouco de experiência e conhecimento de terreno para vos dizer que a colecção (meia) desaparecida, ou melhor, as 170 obras da colecção SEC cuja localização exacta é desconhecida, não é de todo caso único no país (ou mesmo no estrangeiro, esse local onde tudo é uma delícia de tão avançado que vai)!

Mas vamos por partes. A Colecção SEC, ou melhor, a Colecção de Arte Contemporânea do Ministério da Cultura (a sigla SEC vem dos tempos da Secretaria de Estado da Cultura) é o resultado de várias aquisições do Estado, com o objectivo de criar uma colecção de arte contemporânea que pudesse mexer com um mercado de arte parado e sem grande apoio para os artistas no pós revolução. Quase tudo que me recordo de ler sobre a colecção SEC veio a público quando da polémica da passagem da colecção para a tutela da DGPC e da reversão dessa decisão, ambas feitas pelo Secretário de Estado da Cultura do anterior governo, e que ainda se pode consultar no Público de 25 de Julho de 2015.

As lutas de 2015 pela tutela da Colecção SEC

Em 2015, ao contrário de agora, não se sabia muito bem quantas obras estavam “perdidas”. Agora são 170, mas 170 de quantas? Das 1271 que em 2007 haviam sido registadas quando Isabel Pires de Lima se debruçou sobre o assunto, ou as 1115 que Carlos Moura-Carvalho (director-geral das artes empossado em 2015) indicava à Lusa ser o registo existente e datado de 1992? (ainda segundo o artigo do Público de 25-06-2015). Não me levem a mal, mas não deveríamos todos saber exactamente qual o número total das obras desta colecção?

Deixando de lado estas coisas do número total de obras e das 170, sem localização exacta, lembro-me ainda de uma pergunta que me parece óbvia e que só a Inês Fialho Brandão coloca num brilhante post no Facebook: então e o arquivo de documentação desta colecção não deveria acompanhar a mesma quando da passagem para uma nova tutela? Quando, em 2015, a colecção passou para a DGPC e voltou para a DGA isso aconteceu? E o quando a DGA, antes disso, assumiu a responsabilidade da colecção, houve essa passagem do arquivo e documentação de gestão da colecção para essa nova tutela? Não é só a mim que me parece óbvio que essa documentação deve sempre acompanhar a colecção, pois não? Ou se calhar é…

Estamos naquele momento em que a DGPC, claramente a entidade que deve ter a responsabilidade desta colecção em meu entender, está a recuperar a informação perdida e a actualizar os registos sobre a colecção e sobre o seu paradeiro. A Inês, como poderão ver a seguir, mostra como o trabalho deve ser feito, com a transparência necessária, com as consequências devidas se provado algum ílicito e com a ideia maravilhosa de criar um “procura a colecção SEC” online para que o cidadão dê uma ajudinha… vejam lá aqui o post:

Eu, subscrevendo o post da Inês, acrescento ainda uma outra medida que o Ministério da Cultura deve concretizar (na minha opinião tem a obrigação de concretizar). A criação de um website com toda a informação sobre a colecção SEC, ou seja, um site com a informação sobre as obras incorporadas na colecção, a sua história, autor, contexto, proveniência, estado e localização (pelo menos a instituição responsável) actualizadas que permita a todos, daqui em diante, saber exactamente as informações relevantes sobre o nosso património.

Além desta informação sobre a colecção existente, seria este site o local ideial para nos informar qual o futuro desta colecção e como (ou se) o Estado se quer posicionar no complexo mercado da criação artística, criando uma política para esta colecção que definisse, claramente, a política de desenvolvimento (incorporações e desincorporações, portanto), de documentação, de conservação e salvaguarda e de acesso à mesma. Um sonho não era?

Reparem que não se trata aqui de criar uma nova entidade de gestão desta colecção, nada disso. Apenas criar, dentro da DGPC que tem gente bem capaz para esta tarefa, uma pequena estrutura que pudesse assegurar a gestão da colecção a médio e longo prazo. Se assim não for, daqui a uns anos, após vários pedidos do Sr. Ministro tal e do Sr. Embaixador tal, teremos, novamente, a necessidade de “localizar” com exactidão as benditas obras.

E já agora, partilhar com outros ministérios, embaixadas, câmaras, empresas públicas, etc. que usufruam desta colecção (ou que tutelem ou detenham a responsabilidade por quaisquer colecções públicas) os manuais de boas práticas já criados e, quase sempre, esquecidos (tão esquecido que reparo agora que nunca foi actualizado), outros instrumentos e algumas regras que estamos (o Estado também), por via da lei, obrigados a cumprir. Se precisarem de outros bons exemplos, actualizados o ano passado têm aqui o SPECTRUM e outros recursos da Collections Trust por onde começar a explorar.

Simples ou temos que chamar um Héctor Feliciano?