Dalila Rodrigues "afastada" do cargo de Directora do MNAA

Coloco o afastada entre aspas, porque confesso desconhecer os motivos do afastamento e porque nestas coisas das parangonas, os jornais tendem a cair numa completa falta de bom senso, mas no entanto a notícia é veiculada, mais ou menos, nestes termos no principal semanário português. Ver a edição online. Em todo o caso foi com grande surpresa que recebi esta notícia. A Dr.ª Dalila Rodrigues, que não tenho o privilégio de conhecer pessoalmente, sempre me pareceu uma pessoa empreendedora. Recordo que pouco tempo depois de ter sido nomeada para directora do Museu Nacional de Arte Antiga teve a coragem de acolher uma rave numa instituição que é, tendencialmente, conservadora e muito fechada sobre si própria, ao contrário do que convém a um museu que se quer (eu pelo menos queria) ao nível dos grandes museus europeus e, porque não, mundiais. Pelo que li no Expresso a ex-directora do MNAA por discordâncias em relação ao funcionamento do IMC (Instituto de Museus e Conservação) e por ter colocado condições para a sua continuação no cargo que se prendiam com a autonomia financeira do MNAA e pela articulação directa do Museu com o gabinete da Ministra da Cultura. Seria algo parecido com as condições que o Sr. Berardo impos para colocar a colecção no CCB? Não estão agora as Universidades e Faculdades autorizadas pelo Ministro da Ciência e Ensino Superior a constituir fundações para serem responsáveis pela própria gestão? Porque não aplicar o príncipio aos museus (não a todos, claro)? Mas se o governo acha que é uma boa política para as universidades, porque é que recusa a sua discussão no caso dos museus? Uma vez mais digo que desconheço em profundidade este assunto e por isso não pensem nisto como uma posição definitiva. Até pode ser que amanhã, com mais informação, venha a contradizer algo que aqui escrevo... mas para isso virá o amanhã.

Arte na Misericórdia – Inventariar e Divulgar

Boas notícias no que diz respeito à digitalização do património. Ao que parece as Misericórdias também despertaram para esta importante missão. Podem consultar o website do projecto em http://www.scmaveiro.pt/files/projecto/home.htm e a ferramenta de pesquisa nas colecções em http://matriz.softlimits.com/scma/MWBINT/MWBINT02.asp. Já agora aproveito para perguntar se concordam com o facto das "colecções de arquitectura" se enquadrarem dentro da super-categoria "Artes e artes decorativas"? Ou se consideram a arquitectura (um imóvel, portanto) da mesma forma que um objecto... com as mesmas categorias e super-categorias*? * Devo desde já dizer que este sistema categorial sempre me fez uma "espécie" tremenda!

O rei vai nú

E a propósito disso escreve muito bem Pacheco Pereira no seu Abrupto. Realmente a situação dos museus, em termos de recursos humanos, continua na mesma. Museus abertos parcialmente, nos quais é cobrado metade do preço de entrada (questão de justiça, digo eu), salas fechadas por falta de meios de vigilância, directores de museus sem qualquer forma de ultrapassar a crise contínua à qual os museus do estado se parecem ter conseguido habituar. Realmente lembra muito bem Pacheco Pereira; quando é que a Ministra dirá alguma coisa sobre este assunto? Só serve para ir "negociar" com os ocupantes do Rivoli? Ou terão os museus de se insurgir, para obter a atenção necessária do ministério!

Inventariar?

inventariar.jpg Imagem: Daqui. "(...) Com o intuito de alargar os conteúdos disponibilizados no site do Instituto Português de Arqueologia, realizou-se um projecto co-financiado por fundos Feder, através da Unidade de gestão do POC (Programa Operacional da Cultura). Neste projecto pretendeu-se adaptar as informações das fichas de sítios arqueológicos, que se encontram on-line, às novas exigências da actividade arqueológica, tendo-se escolhido para tal os sítios arqueológicos intervencionados no âmbito do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos - que decorreram entre 1998 e 2004, bem como a mais importante intervenção de arqueologia preventiva em território português - as áreas das barragens do Alqueva, Pedrógão e Álamos." Retirado do website desta iniciativa que o IPA organiza. Já agora aproveito para deixar aqui uma pergunta que me tem intrigado. O que se vai fazer com tanto sistema de informação dentro do património cultural do Estado? Relembro que o IPA, com o Endovelico, o IPPAR com um outro sistema e a DGEMN com outro (para não meter ao barulho o IPM com o Matriz) serão todos integrados no futuro IGESPAR. O que fazer a esta preciosa informação? Sugestões de alguém?

Museu RTP

Estou aqui a escutar o belíssimo programa com que a RTP nos brinda no seu 50º aniversário (os meus parabéns antes que me esqueça) e a lembrar-me a falta que faz um bom museu e centro de documentação da Rádio Televisão Portuguesa.

Museu Salazar

Têm vindo a público diversas notícias sobre a intenção da Câmara Municipal de Santa Comba Dão de criar naquela localidade um museu que incidirá sobre a vida e história do ditador português que nasceu lá. O objectivo, pelo que li na imprensa, é criar na antiga casa de Salazar um Museu e Centro de documentação onde se possa informar melhor qual o papel de um personagem que é marcante na história recente do país. Na semana passada assisti, um pouco incrédulo confesso, a manifestações contra e a favor da criação do museu, sendo que a manifestação a favor confundia-se com um inacreditável desejo de retorno aos tempos da "velha senhora". Os argumentos e os vivas a Salazar dos manifestantes dos que supostamente estão a favor da criação do museu são no mínimo ridículos. A criação do museu não tem nada a ver com uma suposta homenagem daquele concelho ao vestuto ditador. Por este motivo não se compreendem os vivas a Salazar, à passagem de uma manifestação contra a criação do dito museu. Ficaria melhor a quem supostamente tentou defender a criação do museu ter assumido uma postura mais democrática em relação a quem protestava contra o museu, do género "é bom que haja discordância, mas vamos lá discutir o cerne da questão!" Os manifestantes contra o museu, em grande parte pelo mesmo motivo, ou seja, o museu não é uma homenagem a Salazar, também não me parece terem grandes motivos para não querer o museu. Bem sei que não vivi os tempos de ditadura. Nasci em 1972, sem qualquer culpa de  ter nascido naquele ano, e por isso consigo ter um distanciamento maior do que as pessoas que viveram a ditadura e sofreram com ela, mas que prejuízo existe para o país e para a democracia a existência de um local onde eu possa aprender o que essas pessoas sofreram, mesmo que esse sítio nos transmita esse conhecimento através dos olhos daquele que causou esse sofrimento? Eu sou a favor da ciração deste museu em Santa Comba Dão, porque sou sempre a favor da existência de locais onde possa aprender mais sobre a história do meu país. Sem complexos em perceber que muitas das páginas do meu país foram escritas a negro. PS: um pequeno aditamento para citar este interessante post.