Discutir o fracasso!

Discutir o fracasso!

Nós vivemos num país, sociedade e tempo em que o fracasso raramente é discutido. O seu contrário, o sucesso, por seu turno tem honras de prime time, reconhecimento oficial, medalhas e condecorações, etc. que são óbvias e merecidas e com as quais, como deverão compreender, concordo inteiramente. Promover e premiar o sucesso é incentivar a mudança e a evolução. No entanto, já algum dos meus caros leitores pensou sobre a quantidade de vezes que um homem de sucesso teve que falhar para alcançar o el dorado? Alguém ainda acredita que basta mesmo uma boa ideia? E o trabalho para a pôr em prática? E as dezenas de experiências que temos de fazer para chegar a uma conclusão que aponta um possível caminho para a cura de uma doença difícil? E a quantidade de vezes que tenho de fazer sopas para me calhar uma como deve ser? O sucesso dá trabalho e é feito de uma boa (espera-se que não muito elevada) quantidade de insucessos, concordam?

Então e porque não o debatemos? Porque não aprendemos mais com o insucesso dos outros? Se um museu fez determinado caminho que se revelou um fracasso, porque razão não pode outro museu aprender com os erros feitos nesse caminho e lucrar com isso?

Vem este tema a propósito de um post no Museum Computer Group (Come and celebrate your failure with us!) na qual é anunciado um evento que pretende debater o fracasso e o que se seguiu ao fracasso, ou seja o que fazemos quando algo corre mal (a avaliação e posterior noção daquilo que correu mal e não teve sucesso seria por si só um interessante tema de discussão). Um evento que me parece muito semelhante ao World Failurists Congress que temos por cá (se não conhecem recomendo e já vai ter uma segunda edição).

E os meus caros amigos estão abertos para debater o insucesso? Eu sugeri no museologia.comes (um dos grupos do museologia.porto um almoço à volta do tema, que me dizem?

© Imagem: Daqui.

I Encontro Património.pt – Gestao Pública e Gestão Privada de Recursos Culturais

I Encontro Património.pt – Gestao Pública e Gestão Privada de Recursos Culturais

É com prazer que divulgo esta informação sobre o I Encontro patrimonio.pt que pretende ver debatida a gestão pública e/ou privada dos recursos culturais do país. Não poderei infelizmente estar presente, mas desejo sinceramente todo o sucesso à iniciativa, embora tenha a certeza, dado a qualidade dos intervenientes, que será uma discussão interessante e proveitosa.

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Os Encontros patrimonio.pt, de periodicidade trimestral, pretendem pôr em discussão problemáticas da actualidade no sector do património em Portugal. Contando sempre com dois convidados, conheceremos as visões de experiências e formações diferentes sobre determinado tema. Querendo ser um espaço aberto a discussão e reflexão contar-se-á com a presença de todos aqueles que queiram participar.

Neste primeiro encontro, teremos a visão de dois profissionais – do sector público e privado – sobre diferentes formas de gestão de recursos culturais.

 

CONVIDADOS

Luís Raposo (Presidente do ICOM-Portugal)

Miguel Lago (ERA-Arqueologia)

 

MODERAÇÃO

José Maria Lobo de Carvalho

 

Luís Raposo é arqueólogo do Museu Nacional de Arqueologia (de que foi director entre 1996 e 2012). Professor Convidado do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Presidente do ICOM Portugal e Membro da Direcção do ICOM Europa. Membro do Conselho Consultivo da Comissão Nacional da UNESCO. Antigo Presidente da Associação Profissional de Arqueólogos.

Miguel Lago é Arqueólogo e sócio fundador da ERA-Arqueologia, de que é Administrador Delegado. Desenvolve a sua actividade ao nível da prestação de serviços nas áreas da Arqueologia e do Património em geral, prosseguindo acções de implementação de projectos de investigação e valorização patrimonial, de que se destaca o caso do Complexo Arqueológico dos Perdigões. Ao longo dos anos, tem desenvolvido reflexões sobre questões relacionadas com a profissão e com o mercado que se tem consolidado na área do Património.

José Maria Lobo de Carvalho é Arquitecto, especializado na área do Património Construído e nos últimos 18 anos tem-se dedicado ao estudo, inventário, diagnóstico e intervenção em vários edifícios e centros históricos em Portugal e estrangeiro. É Doutorado pelo IST onde lecciona no Departamento de Engenharia Civil, Arquitectura e Georrecursos.

Museus e Crise

Museus e Crise

A crise tem um impacto negativo em tudo o que nos rodeia.

Verdade absoluta? Ou haverá algo (tudo) nesta frase que pode ser rechaçado? Num dia como o de hoje, invernoso e chuvoso, em que a meteorologia nos aponta para avisos amarelos, parece ser impossível alterar o estado actual da crise em que os museus vivem, no entanto, a crise é, de acordo com a definição da palavra, um momento, uma conjuntura, não é definitiva, passará algum dia e por isso, mesmo num dia invernoso como este, eu mantenho o optimismo e o pensamento no futuro, ciente que temos a capacidade de ultrapassar a crise em que os museus, a cultura, o país e a Europa estão mergulhados.

No entanto, será que alguém pensa no que fazer para sair da crise e para evitar crises futuras? Alguém saberá como faremos para sair e evitar que entremos noutra crise? O que os museus farão para se instituírem definitivamente como elemento fundamental da cidadania e da sociedade em que se inserem? O que devemos então fazer?

Comecei a escrever estas palavras motivado pela informação sobre a realização de mais um Encontro Nacional  Museologia e Autarquias, organizado em S. Brás de Alportel, pela Câmara local e pelo MINOM, sob o mote “Viver na crise e melhorar os museus” e que pretende “centrar-se sobre as estratégias delineadas ou aquelas que os museus já estão implementando no terreno; lançar o debate sobre «smart» museologia; compreender, simplificar e construir recursos tecnológicos próprios, como a expografia digital; e lançar e definir o projeto de ação museal «Olhares sobre Crise na sociedade portuguesa», aberto a todos os museus sensíveis a estas problemáticas.” Comecei a escrever, porque pensei para mim que finalmente os museus começavam a debater o problema e congratulei-me por isso. Hoje fico a saber que a Câmara Municipal de Vila do Conde, através do Museu de Vila do Conde, promoverá no próximo dia 22 de Abril a 1.ª Jornada de Trabalho em Museologia dedicada ao tema da Gestão Museológica e Sustentabilidade de Museus (centrada na forma como os museus encaram os novos desafios e nos estudos dos públicos) e que o Expresso, juntamente com o BES, pretendem conhecer “O que faz falta aos museus portugueses?“* com um “debate em prol da valorização do património museológico nacional” onde participaram o Secretário de Estado da Cultura, o director do MNAA (António Filipe Pimentel), o sub-director do Reyna Sofia (João Fernandes) e ainda Tolentino Mendonça, moderado pelo director do Expresso (Ricardo Costa), sobre o qual ficaremos a conhecer mais na próxima edição do Expresso.

A situação é grave e por isso mesmo exige de nós maior atenção e uma reflexão que resulte em medidas práticas ou, pelo menos, que possa influenciar a decisão de as tomar. Ficam aqui os meus parabéns a estas iniciativas (e a outras do mesmo género que ainda não conheça) e aos seus responsáveis.

* Sobre esta iniciativa, que é de louvar, gostaria apenas de dizer que ficou a faltar ao debate alguém de um museu de tutela ou dimensão diferente.