De volta à estrada (finalmente)

De volta à estrada (finalmente)

Estamos de volta (finalmente) à estrada! Foram meses e meses e mais meses atrás do ecrã, em zoom, teams, meets, etc., mas finalmente começamos a sair e, com todos os cuidados, voltamos já esta semana a duas formações presenciais em Torres Vedras e em Bragança. Confesso que já há muito que não ficava contente por gastar gasolina (ainda por mais ao preço a que está), mas desta vez fiquei apesar do rombo no orçamento das despesas mensais!

Começamos esta semana, mas continuamos nas próximas com dois eventos muito interessantes. O primeiro, já no próximo dia 22, é o Workshop BAM! Precisamos de normas! Normas e modelos de dados em B(ibliotecas), A(rquivos) e M(useus). Sim, fixem o BAM! Vai colar e substituir a sigla inglesa GLAM! Este workshop trará a Lisboa, ao Goethe-Institut Portugal, a Monika Hagedorn-Saupe e o Axel Ermert do CIDOC para falarem sobre normas do CIDOC e da ligação entre este e a ISO, nomeadamente através de projectos como o CIDOC CRM, mas também a Ana Alvarez Lacambra e um conjunto de colegas e amigos que têm construído muito o que de bom se faz em Portugal na área da normalização em museus (modéstia à parte que também eu estarei lá).

É um evento a não perder! Mas para o qual se precisam de inscrever, ok?

Na semana seguinte, mais precisamente no dia 29 (tudo às sextas), estarei no Alentejo, mais precisamente em Almodôvar, no 5º Encontro da Rede de Museus do Baixo Alentejo sobre o tema “Os Bastidores dos Museus: Modelos e Práticas, para aprender com os amigos e colegas a sul e partilhar aqueles que serão os desafios do futuro para os museus na área da documentação (mais bastidor não há).

A forma de inscrição e programa do encontro estão indicados na imagem abaixo, mas para facilitar é só enviar e-mail para turismo@cm-amodovar.pt com nome, entidade e contactos a indicar a vontade de participar.

Duas semanas e dois eventos importantes onde terei a possibilidade de matar um pouco das saudades! Espero encontrar-vos por Lisboa ou por Almodôvar!

DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO)

DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO)

Juntamente com um conjunto de colegas e bons amigos, membros do Comité Internacional para a Documentação do ICOM (CIDOC), conseguimos aprovar, durante a conferência anual do CIDOC de 2018 em Creta, Grécia (ver aqui a história toda), a constituição de novo grupo de trabalho, a que chamamos recentemente DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO) com o objectivo de disseminar o trabalho do CIDOC pelos países e comunidades de línguas portuguesa e espanhola e, de forma mais abrangente, chegar a outros membros com um contexto cultural comum e, também, servir de ponte linguística para partilhar conhecimento especializado com a comunidade internacional de profissionais de museus e documentação.

CC BY 2.0 Adrià Ariste Santacreu

DOMINO tem como plano desenvolver uma rede de especialistas e de boas práticas na área de documentação em museus através da identificação, desenvolvimento e/ou atualização de normas relevantes nas línguas acima referidas, procurando assim uma harmonização no desenvolvimento da documentação de coleções na comunidade ibero-americana. Procurará ser também um elemento de disseminação da especialização nesta área criando uma agenda comum de questões a ser abordada activamente pelas instituições nesta comunidade.

Alguns dos tópicos que guiarão as prioridades do grupo nos próximos anos serão:

  • Documentação de histórias e costumes tradicionais;
  • Documentação de itens digitais (born digital assets);
  • Documentação de coleções em pequenos museus rurais;
  • Políticas para apoiar a documentação de coleções;
  • Inventários nacionais e portais digitais;
  • Web semântica, Linked Data, dados abertos e iniciativas de dados abertos;
  • Experiências compartilhadas no uso de software livre para documentação de coleções e objetos.

O grupo foi formado, como poderão ler aqui, por um conjunto de colegas do CIDOC de Espanha, Brasil, Chile, México, Portugal entre outros países e terá na próxima conferência do CIDOC, a realizar online entre 7 e 10 de Dezembro próximo, o seu primeiro conjunto de atividades com um workshop, um painel de discussão e uma sessão do grupo de trabalho nas quais os interessados poderão participar de forma gratuita, sendo apenas necessário fazer o registo.

Aliás, a conferência do CIDOC deste ano, como muitas outras de comités internacionais do ICOM, será realizada online e a participação é completamente gratuita, sendo necessário, como habitualmente, o processo de registo através deste link. O programa e demais informações do CIDOC 2020 estão disponíveis em https://cidoc.mahgeneve.news/en/home/

Museus de Cidade – Simpósio

Museus de Cidade – Simpósio

São diversas as formas de abordagem à problemática dos museus de cidade ao longo dos últimos anos. Não há – e ainda bem que assim é – uma única forma de os ver. Tal como não uma única forma de ver ou de sentir as cidades no nosso século, mas como podemos nós construir e promover um museu de cidade? Aliás, pergunta primeira, o que é isso de um museu de cidade?

É algo a que chamamos simplesmente museu de cidade x, sem mais? É uma instituição que reflecte a cidade? É uma instituição que pensa a cidade? Que a transforma? Que contribui para o seu desenvolvimento? É uma instituição que apresenta o passado? Afinal o que é, o que deve ser, o que será importante num museu de cidade em 2017 e nos anos que se seguem?

Estas e outras perguntas são o motivo da investigação que o Manuel Sarmento Pizarro está a desenvolver no doutoramento em museologia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e também servem de base ao simpósio Museus de Cidade em Portugal que terá lugar na Reitoria da UP no próximo dia 5 de Junho.

Simpósio Museus de Cidade

Para procurar as respostas o simpósio conta com o importante contributo de diversos profissionais e investigadores de diferentes áreas, cuja reflexão será, estamos certos, extraordinariamente relevante para a investigação levada a cabo pelo Manuel Sarmento Pizarro, mas também para uma área que não tem sido alvo da atenção que merecia.

Poderão procurar vocês os motivos para participar neste momento de reflexão directamente no programa do encontro, mas asseguro-vos que os contributos de cada um dos particpantes serão excelentes razões para passarem um dia connosco a reflectir sobre museus de cidade na actualidade.

A inscrição é gratuita mas está limitada à capacidade da Sala do Fundo Antigo da Reitoria da Universidade do Porto, por isso apressem-se. É só seguir as indicações dadas nesta página.

Brasil – Um retorno sempre feliz

Brasil – Um retorno sempre feliz

A máxima, completamente inútil, que nos diz que não devemos voltar a um lugar onde já fomos felizes é absurda! Não o fazer é exactamente o mesmo que não comer uns ovos moles em Aveiro, com medo que não nos saibam exactamente como os que provamos pela primeira vez, ou seja, é ridículo.

Esta foi já a quarta visita que tive oportunidade de fazer ao Brasil. A primeira, é justo dizê-lo, foi a melhor. Estava de férias a celebrar um dos momentos mais felizes da vida pessoal! As restantes foram todas a trabalho, no entanto, permitiram-me descobrir um novo mundo, conhecer novos amigos, ver uma realidade diferente, aprender… É isso mesmo, aprender é o que tenho tido a oportunidade de fazer nestas minhas idas ao Brasil.

A última decorreu no final do mês passado e príncipio deste e possibilitou um novo pin nas cidades visitadas: Goiânia, capital do estado de Goiás, ali a a 200 km de Brasília. Uma cidade pequena no Planalto Central brasileiro com “apenas” um milhão e meio de habitantes onde tive a oportunidade de conhecer um pouco do imenso trabalho que uma Universidade local está a realizar no âmbito da reorganização dos seus museus. A visita foi curta, mas muito interessante porque percebi algo que depois confirmaria durante a restante semana e meio de trabalho: uma preocupação imensa com a gestão das colecções e com a sua segurança e salvaguarda, reflectida num investimento sério nos equipamentos que as permitem.

Pormenor da reserva técnica

Imagem: Reserva Técnica do Museu Antropológico da UFG

Vista do Rio de Janeiro

Cidade Maravilhosa

A segunda paragem foi na Cidade Maravilhosa: Rio de Janeiro! O programa incluía uma paragem na UNIRIO¹, para uma palestra no mais antigo curso de Museologia do país (uma honra e um prazer para este vosso amigo), e a participação no seminário do COMCOL Brasil sobre Gestão e Desenvolvimento de Colecções. Sobre este evento escrevi um texto que será publicado no próximo boletim do ICOM Portugal (colocarei aqui o link assim que tiver sido publicado) e não me alongarei mais do que o necessário para dizer que foi interessante ao ponto de me ter decidido a mudar a segunda filiação nos comités internacionais do ICOM para o COMCOL. Já sobre a palestra, ou aula, na UNIRIO gostaria de referir uma ou duas coisas.

A museologia no Brasil teve nos últimos anos um desenvolvimento assombroso. Há um investimento forte na formação nesta área e têm surgido diversos cursos (licenciaturas, bacharelatos, mestrados e mais recentemente doutoramentos), acompanhando, de resto, um investimento notório na criação de novos museus, na restruturação de museus existentes ou mesmo na definiçãode políticas para os museus e colecções, por parte dos organismos federais, estaduais e municipais responsáveis. Desse investimento resultou, ou está a resultar, uma comunidade de profissionais de museus muito capaz, com formação técnica elevada, com acesso à profissão em diversos museus ou projectos de museus (ao contrário do que acontece por cá) e, em boa parte, com apoios para a participação em fóruns de discussão internacionais das mais diversas áreas envolvidas na profissão. Este desenvolvimento, como é óbvio, não resolve ou resolveu todos os problemas da comunidade museológica brasileira. No entanto, quando nos sentamos numa sala com 30 pessoas (professores, alunos, colegas de museus, etc.) a conversar sobre os desafios que os museus enfrentam na gestão e documentação das suas colecções, é fácil perceber as vantagens que o investimento trouxe para os museus no Brasil e também facilita prever um futuro muito risonho para o sector, mesmo tendo em conta as dificuldades que o país atravessa agora.

Além destes pontos positivos, muito relevantes na minha opinião, percebi também alguns pontos em comum com a realidade portuguesa. Um deles, se calhar o mais óbvio, é a utilização da “crise” como desculpa para limitar ou mesmo eliminar o investimento que estava a ser feito no sector.

No final deste encontro na UNIRIO, antes de um “happy hour” no Sofitel em Copacabana e de um jantar de amigos no restaurante Majorica (aconselho vivamente), anotei no meu caderno de viagem: “muito interessante o que me falaram sobre a realidade dos museus brasileiros. Seria muito interessante discutir, no âmbito da CPLP e comités nacionais do ICOM desses países, o que nos preocupa, une e afasta. Será que poderíamos concertar esforços para pressionar o ICOM internacional nos nossos interesses comuns, por exemplo?”

Vista de São Paulo e do Parque Ibirapuera

São Paulo

O restante tempo desta viagem ao Brasil foi passado em São Paulo em trabalho imersivo e intenso, sobre o qual falarei com mais detalhe no futuro, com amigos e colegas do Museu da Imigração, do Museu da Casa Brasileira e da Pinacoteca.

Destes três museus só conhecia a Pinacoteca (Pina para os amigos) e já tinha falado sobre este impressionante museu de São Paulo aqui, mas desta vez tive a oportunidade de conhecer um pouco mais e perceber a enorme e competente equipa que o museu tem. Um privilégio devo dizer.

Na última visita tinha marcado como coisas para fazer a visita ao Museu da Imigração, mas na visita que tive a oportunidade de fazer agora, percebi porque não o fiz. É um museu mais deslocado do centro, na zona leste de São Paulo, com um acesso mais complicado porque fica numa rua que é interrompida a meio pela ferrovia. O táxi que me levou lá demorou quase uma hora a encontrar o museu, mas devo dizer que entramos na rua do Museu, do lado errado da ferrovia, passado 20 minutos de sair do hotel 🙂

Apenas queria deixar uma nota sobre o museu: este é um dos poucos museus que São Paulo não pode dispensar nunca. É uma cidade que é construída por diversas vagas de imigração ao longo dos séculos e por isso é mais do que necessária a existência de um museu que tem a seguinte missão:

Promover o conhecimento e a reflexão sobre as migrações humanas, numa perspectiva que privilegie a preservação, comunicação e expressão do patrimônio cultural das várias nacionalidades e etnias que contribuem para a diversidade da formação social brasileira.

O Museu da Casa Brasileira explora as temáticas da arquitectura e design. É casa de um dos mais reputados prémios de design no Brasil, o Prémio Design MCB. Está neste momento instalado numa antiga residência de Fábio da Silva Prado, antigo Prefeito de São Paulo, situada numa zona de ampliação da cidade decorrida na primeira metade do século XX na zona do Rio Pinheiros. É um museu onde conseguimos ter uma visão sobre a história da casa brasileira, do design e, ao mesmo tempo, de uma parte muito interessante da história de São Paulo. Aconselho vivamente a visita.

Em cada um destes museus tive a oportunidade de aprender muito sobre a história de São Paulo e do Brasil. Como disse acima, estas viagens têm sido momentos muito interessantes de aprendizagem e partilha. Fazem-me sempre pensar nas razões que nos levam a esquecer de ensinar e estudar a História do Brasil após a declaração de independência e no quão útil seria a ambos países uma maior partilha sobre a nossa raiz cultural comum.

Queria, por fim, deixar uma recomendação para quando visitarem São Paulo. Não deixem de ir assistir a um concerto à Sala São Paulo. Eu já o queria ter feito noutra altura, mas não consegui. Desta vez tive a oportunidade de assistir a um concerto da orquesta residente e de comprovar a beleza visual e a impressionante acústica de uma das melhores salas de música do mundo.

Sala São Paulo

Sala São Paulo


1 Um especial agradecimento ao Gabriel Bevilacqua Moore, colega do CIDOC e à Elizabete Mendonça, professora na UNIRIO pelo convite.

 

Apresentação do CIDOC em Lisboa: Museu de Lisboa-Palácio Pimenta – 22 de Maio

Apresentação do CIDOC em Lisboa: Museu de Lisboa-Palácio Pimenta – 22 de Maio

O ICOM Portugal e o Museu de Lisboa estão a organizar uma sessão de apresentação do Comité Internacional para a Documentação do ICOM, o CIDOC, que terá lugar no Museu de Lisboa – Palácio Pimenta (antigo Museu da Cidade para os mais distraídos), no próximo dia 22 de Maio. A apresentação ficará a cargo de Emmanuelle Delmas-Glass, membro da direcção do CIDOC e editora do seu boletim, e procurará, no pouco tempo disponível para o efeito, percorrer as principais linhas de actuação do CIDOC e o trabalho desenvolvido por este comité internacional desde 1950.

O CIDOC é um dos maiores e mais antigos comités internacionais do ICOM e, no plano da documentação e gestão de colecções, é um dos organismos internacionais incontornáveis no estudo e criação de documentos normativos para o sector museológico, sendo a norma ISO 21127:2006, ou mais familiarmente o CIDOC CRM (Conceptual Reference Model) um dos mais relevantes resultados do trabalho deste comité.

Esta apresentação do CIDOC pretende responder a um dos principais objectivos do ICOM Portugal para o actual triénio: a promoção da participação dos seus membros nos comités internacionais do ICOM. Por esse motivo contamos com a participação de todos os membros do ICOM Portugal interessados nas questões da documentação em museus. No entanto, a sessão estará aberta à participação de todos os interessados.

Poderão encontrar mais informação sobre a sessão no site do ICOM Portugal.

Uma breve nota biográfica de Emmanuelle Delmas-Glass está também disponível.

CIDOC

 

Programa: PDF

O estado das coisas

O estado das coisas

A chegar ao fim de Novembro, depois de três meses intensos e quase sem tempo para nada, cansado fisicamente, mas intensamente mais rico graças à participação num conjunto de eventos importantes.

Logo a abrir Setembro, depois de um Agosto intenso em São Paulo, foi o CIDOC 2014, em Dresden, que a Juliana Monteiro descreveu maravilhosamente no Speaker’s Corner e onde tive a oportunidade de participar numa importante reunião sobre o desenvolvimento da norma SPECTRUM que já se encontra publicada e disponível em Português. Escreverei, quando tiver mais dados, um artigo sobre o desenvolvimento da norma para que o possam comentar.

Chegado de Dresden (uma cidade estranha, devo dizer), foi tempo de começar a preparar o I Congresso Internacional de Museologia Militar que a Sistemas do Futuro organizou com o Exército Português. A ideia do congresso surgiu através da parceira que a empresa e a Direcção de História e Cultura Militar (DHCM) mantêm no projecto da Rede de Museus Militares (inventário e gestão das colecções do Exército) e da necessidade de discutir um conjunto de assuntos comuns a todos os museus, mas que a instituição militar, devido à sua missão, trata de forma diferenciada. O programa do congresso foi abrangente, em meu entender, e permitiu a discussão generalizada, com diferentes pontos de vista (principalmente os trazidos pelos convidados internacionais), sobre os diferentes tópicos lançados pela comissão científica. Não posso deixar de destacar, entre muitas outras, a singular expressão “necessidade de guerrilha museológica”, utilizada na apresentação do General Silvestre António Francisco (Diretor do Museu Nacional de História Militar de Angola), aludindo à defesa da importância dos museus na sociedade e no seu desenvolvimento e transformação. Uma expressão que passei a usar, sempre que me perguntam o que será necessário para mudar o actual panorama desnorte museológico (cultural?) português. Em breve será publicado um texto, da minha responsabilidade, com um resumo alargado do congresso.

Passado o congresso foi tempo de reunir forças para começar a preparar outros dois momentos de discussão: o III Encontro de Centros de Documentação em Museus, organizado pelos colegas da Câmara Municipal de Loures (link quebrado), e o Seminário de Investigação do Doutoramento em Museologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto sobre Processos de Musealização (em boa verdade a preparação deste último decorria ao mesmo tempo que os anteriores).

No primeiro destes eventos participei com uma comunicação intitulada “Objectos, Livros, Documentos e uma Lingua Franca” que tinha como objectivo suscitar a reflexão sobre a necessidade premente da existência de um elo forte que permita a comunicação, mais do que a simples pesquisa, e o acesso integrado entre estes instrumentos de memória e história que Museus, Bibliotecas e Arquivos guardam. Não sei se terei conseguido o intento, mas as diversas conversas tidas ao longo do dia com os restantes colegas e a discussão gerada na sala durante as diversas apresentações foram mais do interessantes. Além do mais é sempre um prazer aprender mais com os restantes participantes e oradores. Tempo muito bem empregue.

O seminário da FLUP sobre Processos de Musealização decorreu já este mês, entre os dias 5 e 7. É o primeiro em que participo na condição de Professor Afiliado da casa e devo dizer que, apesar da complexidade da organização (só possível de concretizar graças ao empenho da Teresa Azevedo) e do processo de selecção dos artigos e comunicações, foi uma experiência excelente. Conforme poderão ver o programa foi intenso e interessante. Desde logo um formato que me agradou bastante foram as sessões tutoriais onde se pediu aos alunos de doutoramento de museologia da FLUP um texto e apresentação sobre o trabalho de investigação que têm desenvolvido para ser discutido pelos colegas e por um conjunto de professores. Na sessão tutorial que coordenei com a Alice Duarte, da linha de investigação Museus, Colecções e Património, acederam ao nosso convite os colegas Sérgio Lira, Adelaide Duarte e Filomena Silvano (um enorme obrigado uma vez mais) e os nossos alunos tiveram a possibilidade de discutir metodologias, estrutura, bibliografia, instrumentos, etc. que estão a utilizar através da análise e crítica de outros olhos, antecipando de certa forma a discussão pública que terão pela frente na conclusão dos seus projectos. Além deste importante momento contamos também com diversas apresentações, nas sessões do seminário, de diferentes projectos, estudos, etc. de muitos investigadores de outras universidades com abordagens muito interessantes sobre diferentes temas da investigação em museologia. Os keynote speakers que convidamos foram a cereja em cima do bolo, mas infelizmente, por motivos de agenda, só o posso dizer por aquilo que me contaram, dado que não consegui estar presente em nenhuma destas conferências. Foram também realizados um conjunto de workshops, cuja avaliação não posso fazer, porque organizei o único em que participei e não me ficaria bem ser juiz em causa própria. Espero que algum leitor que tenha participado o faça comentando este post, ok?

Ainda tive a oportunidade de moderar, a convite da Acesso Cultura, o debate sobre Domínio Público e Direitos de Autor que decorreu na Casa do Infante (com a “costumeira” sessão paralela em Lisboa) na qual tivemos como convidado Nuno Sousa e Silva, jurista e professor na Universidade Católica, que se tem especializado neste tema e que conseguiu, como ninguém, explicar temas jurídicos densos a não especialistas na matéria. Um debate que, segundo creio saber, terá continuidade num curso sobre o tema que a Acesso Cultura está a organizar.

Pelo meio de toda esta actividade ainda consegui encaixar (a custo) o reinício dos trabalhos de tradução dos SPECTRUM Advices para Português, consolidando a parceria entre os colegas do Brasil que participaram na revisão e publicação da tradução da norma e o Grupo de Trabalho de Sistemas de Informação, com a preciosa colaboração de excelentes profissionais de informação daquele grupo e, também, iniciar/retomar um conjunto de novos projectos e dar continuidade a outros decorrente do trabalho na Sistemas do Futuro que abordarei noutros textos.

Entre tanto que fazer não deixei de continuar a ler as notícias e ficar estupefacto como a crise bancária afecta importantes colecções portuguesas, como a da Fundação Ricardo Espírito Santo, ou como a crise (continuada) política afecta a gestão de um conjunto de museus que continuam sem saber com que contar no futuro (andam de tutela em tutela) e ainda como, apesar de tudo, o esforço de um conjunto de colegas e bons profissionais consegue manter de pé aquilo que resta da Rede Portuguesa de Museus dando continuidade à creditação de alguns museus.

É o estado das coisas. Até ver pelo menos!