Rethinking museum practices: decolonizing collections – Conferência online

Rethinking museum practices: decolonizing collections – Conferência online

Repensar as práticas museológicas tendo em conta o processo de descolonização das coleções e dos museus é uma preocupação que está, cada vez mais presente, na comunidade de profissionais de museus a nível internacional. Nesse sentido, o CIDOC, o COMCOL e o ICOM Brasil, em parceria com o MAM Rio e com o apoio do Itaú Cultural organizam uma série de palestras online que pretende discutir, sobre diferentes perspectivas e abordagens, este tema.

Nesta série as instituições organizadores procuram reflectir criticamente sobre as práticas de coleta e gestão de coleções.

O que significa descolonizar ao reconhecer os diferentes contextos internacionalmente? Como abordar este tema de forma ativa tendo como ponto focal os direitos humanos e a justiça patrimonial? Numa perspectiva solidária, a organização pretende explorar, partilhar e recriar estratégias e a prática face às exigências contemporâneas colocadas ao desenvolvimento e gestão das colecções.

Cartaz do Evento

A conferência Rethinking museum practices: decolonizing collections está dividida num programa de cinco dias (2,5 horas por dia apenas), sendo cada dia dedicado a um tópico específico. As datas e tópicos são:

  • 26 de novembro: Repensando a restituição e repatriação;
  • 30 de novembro: Repensando a pesquisa de proveniências e a partilha da informação e do conhecimento;
  • 3 de dezembro: Repensando a aquisição e desincorporação/baixa;
  • 7 de dezembro: Repensando a catalogação, classificação e presença digital;
  • 10 de dezembro: Sessão de encerramento – Repensando a transparência e a responsabilidade institucional.

Os temas das cinco sessões serão abordados por um leque diversificado de oradores que estão diretamente envolvidos na sua vida, investigação ou trabalho com o tema principal da série, ou seja, a descolonização das colecções do museu.

A conferência contará com um ouvinte crítico, durante as cinco sessões, que analisará as apresentações e discussões de forma crítica que pretende dar o mote para a continuação da discussão através da publicação de um livro sobre este tema em 2022.

As informações sobre a conferência Rethinking museum practices: decolonizing collections estão disponíveis online através do site do CIDOC. Em breve estará disponível o programa, as informações dos palestrantes e demais informações sobre o processo de registo. O evento é apenas online e é gratuito.

Inquérito DOMINO – Documentação nos museus Iberoamericanos

Inquérito DOMINO – Documentação nos museus Iberoamericanos

O grupo de trabalho DOMINO (DocumentandO Museu IberomericaNO) do CIDOC (ICOM International Committee for Documentation) promove um inquérito para entender a realidade da documentação do universo de museus de língua portuguesa e espanhola. 

O conhecimento da realidade actual nos museus dos países iberoamericanos é essencial para este novo grupo de trabalho do CIDOC, porque nos permite definir uma estratégia e prioridades de actuação com base naquilo que são as dificuldades e problemas que os museus enfrentam numa realidade que é, à partida, diferente da que encontramos e conhecemos com mais detalhe nos museus anglo-saxónicos.

Assim, pede-se a todos os museus e profissionais de museus que respondam ao inquérito DOMINO abaixo disponibilizado (está em Português e Espanhol) para nos permitir consolidar esta rede de apoio à documentação em museus através de actividades e projectos que respondam aos problemas mais urgentes nesta área de especialização e território específico.

Os resultados preliminares serão apresentados durante a conferência anual do CIDOC em Tallinn (6-10 setembro 2021) e o relatório final será disponibilizado através dos canais de comunicação do CIDOC.

Inquérito DOMINO (Português)

Encuesta DOMINO (español)

Todas as questões e dúvidas sobre o inquérito podem ser colocadas através dos canais do grupo de trabalho disponíveis em http://cidoc.mini.icom.museum/es/grupos/domino/

DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO)

DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO)

Juntamente com um conjunto de colegas e bons amigos, membros do Comité Internacional para a Documentação do ICOM (CIDOC), conseguimos aprovar, durante a conferência anual do CIDOC de 2018 em Creta, Grécia (ver aqui a história toda), a constituição de novo grupo de trabalho, a que chamamos recentemente DOMINO (DocumentandO Museu IberoamericaNO) com o objectivo de disseminar o trabalho do CIDOC pelos países e comunidades de línguas portuguesa e espanhola e, de forma mais abrangente, chegar a outros membros com um contexto cultural comum e, também, servir de ponte linguística para partilhar conhecimento especializado com a comunidade internacional de profissionais de museus e documentação.

CC BY 2.0 Adrià Ariste Santacreu

DOMINO tem como plano desenvolver uma rede de especialistas e de boas práticas na área de documentação em museus através da identificação, desenvolvimento e/ou atualização de normas relevantes nas línguas acima referidas, procurando assim uma harmonização no desenvolvimento da documentação de coleções na comunidade ibero-americana. Procurará ser também um elemento de disseminação da especialização nesta área criando uma agenda comum de questões a ser abordada activamente pelas instituições nesta comunidade.

Alguns dos tópicos que guiarão as prioridades do grupo nos próximos anos serão:

  • Documentação de histórias e costumes tradicionais;
  • Documentação de itens digitais (born digital assets);
  • Documentação de coleções em pequenos museus rurais;
  • Políticas para apoiar a documentação de coleções;
  • Inventários nacionais e portais digitais;
  • Web semântica, Linked Data, dados abertos e iniciativas de dados abertos;
  • Experiências compartilhadas no uso de software livre para documentação de coleções e objetos.

O grupo foi formado, como poderão ler aqui, por um conjunto de colegas do CIDOC de Espanha, Brasil, Chile, México, Portugal entre outros países e terá na próxima conferência do CIDOC, a realizar online entre 7 e 10 de Dezembro próximo, o seu primeiro conjunto de atividades com um workshop, um painel de discussão e uma sessão do grupo de trabalho nas quais os interessados poderão participar de forma gratuita, sendo apenas necessário fazer o registo.

Aliás, a conferência do CIDOC deste ano, como muitas outras de comités internacionais do ICOM, será realizada online e a participação é completamente gratuita, sendo necessário, como habitualmente, o processo de registo através deste link. O programa e demais informações do CIDOC 2020 estão disponíveis em https://cidoc.mahgeneve.news/en/home/

Reunião de Inverno da direcção do CIDOC – Porto

Reunião de Inverno da direcção do CIDOC – Porto

Nos próximos dias 7,8 e 9 de Fevereiro a direcção do CIDOC realizará a sua reunião de inverno na Faculdade de Letras da Universidade do Porto que muito amavelmente respondeu positivamente ao pedido que fiz para nos receber, tal como seria de esperar, numa instituição que este ano comemora 25 anos do seu curso de museologia (e 100 anos de existência já agora), sendo responsável pela formação de muitos profissionais de museus e, especificamente, na área de documentação e gestão de colecções.

Esta reunião de trabalho anual tem como objectivo a realização de um conjunto de tarefas administrativas, organizacionais e de gestão do comité que se torna mais eficiente porque conta com a presença de grande parte dos membros da direcção e dos responsáveis pelos grupos de trabalho activos do CIDOC.

O CIDOC, como penso saberão, é o Comité Internacional para a Documentação do ICOM (herda a sigla do francês) e tem como objectivo definir e promover um conjunto de recomendações, normas e boas práticas no âmbito da documentação, gestão e divulgação das colecções museológicas. É um dos comités internacionais mais antigos do ICOM, tendo sido fundado em 1950, e conta com uma comunidade de membros, espalhados por todos os continentes, que reúnem em si um conjunto de competências técnicas nas diferentes áreas de especialização da gestão e documentação das colecções.

Nesta reunião do Porto, a par das tarefas normais de organização do trabalho deste comité, como a publicação das comunicações da última conferência, a organização da próxima, do trabalho rotineiro de apresentação e discussão dos relatórios dos grupos de trabalho, entre outras tarefas, teremos uma parte substancial da reunião dedicada à visão estratégica do CIDOC para os próximos 10 anos.

O CIDOC é o comité que escolhi já há muitos anos para trabalhar dentro do ICOM, como todos os comités internacionais do ICOM, tem pontos fortes e pontos fracos, que podem e devem ser debatidos e melhorados, tendo em vista uma resposta mais capaz e eficiente às questões que os seus membros e a comunidade museológica enfrentam no dia-a-dia do trabalho árdulo e inesgotável que é a documentação em museus. Por isso, é como grande satisfação que conseguimos ter em Portugal a direcção do CIDOC a discutir a visão estratégica de um comité internacional que será depois apresentada à votação na próxima assembleia magna do comité na conferência trienal do ICOM em Kyoto. Aliás, mais do que a discutir em Portugal, é para mim uma grande honra e responsabilidade participar nesta discussão e contribuir, com base na experiência de trabalho com um conjunto significativo de museus portugueses, para melhorar o trabalho e resposta do CIDOC às crescentes exigências técnicas, tecnológicas e políticas dos museus e dos seus profissionais no campo da gestão, documentação e divulgação das colecções.

Após a reunião, darei nota aqui sobre os pontos principais da discussão e as linhas mestras do que será a visão estratégica do CIDOC para a próxima década. Entretanto, estejam à vontade para sugerir pontos a discutir ou preocupações que gostassem que o CIDOC reflectisse sobre neste contexto.

Importa, por último salientar, todo o apoio que o ICOM Portugal deu, no seguimento do esforço que tem vindo a levar a cabo para a participação dos seus membros nos comités internacionais, para a concretização da realização deste evento em Portugal.

CIDOC 2017 – apresentações online

CIDOC 2017 – apresentações online

Não falei antes do CIDOC 2017, em Tbilisi, decorrido em Setembro do ano passado, mas hoje tenho um excelente motivo para voltar à nossa conferência anual e dar-vos a conhecer um pouco da experiência deste ano na Geórgia. O motivo, aliás, o excelente motivo é a partilha das apresentações feitas nas diversas sessões (workshops e sessões convidadas) do extenso programa deste ano, subordinado ao tema “Documentation – Past, Present, Future…”

Uma breve nota sobre o CIDOC 2017

A conferência deste ano permitiu-me ir, pela primeira vez (uma miséria bem sei), a um país que ficava atrás da Cortina de Ferro e vivenciou, de uma outra perspectiva, aquilo que para um jovem adolescente ocidental como eu representava uma espécie de Tratado de Tordesilhas nuclear com ameaças entre duas grandes superpotências (na versão de Hollywood chamadas de Rocky Balboa e Ivan Drago) que nunca se iriam entender. Um mundo distante, felizmente, porque me permitiu conhecer brevemente uma cidade vibrante, com boa comida e bebida, e excelentes pessoas.

Este ano, o tema da conferência procurou explorar o que foi, o que é e para onde caminha a área da documentação em museus. O tema, proposto pelo comité de organização local, à partida parece ser simplista, mas é muito mais desafiador do que pensei. Rever o nosso passado enquanto comunidade, os nossos sucessos e insucessos (principalmente estes), o caminho traçado, os obstáculos, etc. é, em boa medida, algo que todas as instituições ou comunidades deveriam fazer de tempos a tempos. Permite recentrar a energia, alinhar o foco e considerar o presente ao abrigo do que positivo e negativo fizemos. Com essa análise e com os recursos e potencialidades que temos agora, no presente, podemos construir e planear um futuro ainda melhor, com uma resposta mais capaz aos enormes desafios que este sector dos museus tem pela frente.

No CIDOC 2017 revi um conjunto de colegas, de mestres, de parceiros de discussões intermináveis sobre normas e procedimentos e tecnologias, mas também conheci novos colegas, de novas geografias (sim que o ICOM é muito eurocêntrico ainda), com outras perspectivas e desafios. Discutimos entre todos, em sessões sobre terminologias, procedimentos, imagem, gestão do conhecimento, passado da documentação, novos desafios e outras, aquilo que podemos dar à comunidade museológica para que os museus e seus profissionais possam contribuir para uma sociedade melhor. Tivemos o privilégio, nessas sessões de ouvir e conhecer o trabalho de colegas de diversas áreas, com diferentes preocupações e pontos de vista de entre os quais gostaria de destacar, agora que as apresentações estão publicadas, os que me chamaram mais a atenção.

Os meus destaques do CIDOC 2017

Não vou ser muito extenso na análise e esta minha opinião sobre o que melhor se viu no CIDOC 2017 está condicionada às sessões em que participei e assisti (algumas são sessões paralelas), mas convido todos a percorrerem as diferentes apresentações e partilharem as que mais interessantes lhes parecem. A lista está disponível na área das conferências passadas da página do CIDOC no link 2017, Tbilisi.

No topo, até porque não é a minha área de investigação preferida, colocaria as excelentes apresentações feitas pelo Gregg Garcia e pelo Jonathan Ward sobre o programa Getty Vocabularies. Vão desde a revisão e utilização dos conteúdos dos diversos thesauri e vocabulários, passando por um programa de acessibilidade sustentado por uma política de Linked Open Data até à apresentação de exemplos de utilização e iniciativas futuras. Alguns poderão achar densos e muito técnicas as apresentações, mas para quem se interessa por terminologia são essenciais para acompanhar o trabalho de quem lidera internacionalmente esta área da documentação. Podem encontrar as apresentações na SESSION 7 – Getty Vocabularies.

A segunda escolha recai na comunicação do Hassan Ghaseminejad Raieni, do Irão. A apresentação intitula-se Experiences in museum objects documentation with regard to ethical and cultural principles in Iran e explora um tema muito sensível na documentação de museus: a objectividade e as influências do processo de documentação na(s) história(s) que contamos com os objectos. Confesso que além do tema e da forma como foi apresentado, admirei a coragem do Hassan em levar um assunto destes a uma conferência internacional, sendo ele de um país que não é famoso pela abertura à crítica.

Uma terceira escolha vai direitinha para a apresentação do Axel Ermet. Aborda uma norma ISO, uma daquelas coisas com que nós, os maluquinhos das normas, gostamos de nos entreter e que, para quem não é um dos nossos, gostamos de recomendar para utilizar como se de uma bíblia se tratasse. Vejam lá se não vos daria jeito uma norma como esta: (ISO): The vocabulary ISO 5127 as a basic vocabulary for documentation. Define um vocabulário comum para que todos vós, os incrédulos, percebam o que nós, os crentes, queremos dizer com expressões como XML, bases de dados, subsets, modelos conceptuais, etc. Um instrumento de utilização diária sobre o qual escreverei um destes dias.

Um quarto lugar para a apresentação do Reem Weeda sobre o ICONCLASS e a ligação deste, ou melhor, o enriquecimento deste com a ligação a conceitos do AT&T. A apresentação, um pouco técnica mas muito útil, está disponível aqui.

Por último não posso deixar de referir e destacar as apresentações da Natália Jorge, do Fernando Cabral, da Juliana Rodrigues Alves (pesquisem os nomes na página) sobre importantes trabalhos realizados aqui em Portugal na área da documentação do património cultural e, sem falsas modéstias, a apresentação que eu fiz, em representação de uma equipa fabulosa, sobre o contributo do Grupo de Trabalho de Sistemas de Informação em Museus da BAD nos últimos anos em Portugal.

Com este texto pretendo destacar as minhas escolhas, mas quero dizer-vos que se percorrerem as apresentações vão encontrar um conjunto de trabalhos notável e útil para quem é confrontado com os trabalhos de documentação em museus ou em outras instituições culturais. Se quiserem partilhar as vossas preferidas, ou as que lhes parecem mais interessantes, vão à página das apresentações e digam coisas nos comentários a este post.

Boas leituras!

ICOM 2016 Milão – Notas da Conferência Geral

ICOM 2016 Milão – Notas da Conferência Geral

ICOM 2016 - Entrada

ICOM 2016 – Entrada

A Conferência Geral do ICOM teve lugar este ano em Milão, Itália, entre os dias 3 e 9 de Julho, no Centro de Congressos daquela cidade, tendo como mote “Museus e Paisagens Culturais”, tema que tinha já servido para as celebrações do Dia Internacional de Museus este ano. A conferência geral é sempre uma oportunidade para aprender e conhecer mais sobre a comunidade profissional dos museus. Este ano, pela proximidade a Portugal e pela presença maciça (mais de 3000) colegas das mais diferentes regiões do mundo, o ICOM 2016 foi uma excelente ocasião para alargar horizontes e percepcionar as diferenças e semelhanças em museus de todo o mundo.

Neste texto procurarei falar de duas realidades distintas: a participação portuguesa na conferência geral e as actividades, bem como a minha participação, no comité internacional de documentação, o CIDOC. Começo pela primeira, por razões óbvias.

 

A participação portuguesa no ICOM 2016

Tal como disse acima, este ano o local e tema da conferência proporcionaram as condições para uma participação considerável de colegas portugueses. Assim de repente, sem puxar muito pela memória, estive com mais de uma dezena de colegas portugueses em Itália. Destaco alguns em seguida.

Desde logo o Presidente do nosso Comité Nacional, José Alberto Ribeiro, que juntamente com a Joana Sousa Monteiro, o Mário Antas e a Dália Paulo nos representaram nas tarefas mais administrativas da conferência, participando nas assembleias gerais, votações e discussões sobre o futuro do ICOM a nível internacional. Uma tarefa de enorme responsabilidade que desempenharam, como sempre, com a maior dedicação e empenho. A juntar a este importante trabalho é importante salientar que a Joana e o Mário foram eleitos para cargos de direcção nos comités internacionais de que fazem parte. A Joana Sousa Monteiro foi eleita Presidente do CAMOC e o Mário Antas Vice-presidente do CECA. Dois comités internacionais muito relevantes no contexto internacional e que serão exigentes para ambos. Os meus votos de sucesso para ambos.

A seguir, não o posso deixar de referir, o Luís Raposo, agora presidente da Aliança Regional ICOM Europa, que fez um notável trabalho a apresentar uma linha de acção para revitalizar o trabalho desta importante aliança de diversos comités nacionais do ICOM. Aproveito para desejar ao Luís o maior sucesso nesta grande tarefa que tomou como sua e para lhe dar os parabéns por este importante cargo que deve ser visto como um orgulho para a comunidade museológica nacional.

Uma outra amiga e colega que não posso deixar de referir é a Marta Lourenço, arguente principal na minha tese de doutoramento, agora empossada como Presidente do UMAC, secretária da anterior direcção do ICOM Portugal e uma das vozes mais sábias que conheço sobre colecções e museus universitários. É a certeza, tal como acontece nos outros 3 casos, que o UMAC estará muito bem entregue, pelo menos, nos próximos 3 anos. Sucesso é o que desejo, uma vez mais, nas suas funções.

Além destes que merecem um destaque pelas funções que agora assumem, tive também o grato prazer de rever e conversar um pouco com bons amigos e colegas como a Aida Rechena, o Pedro Pereira Leite, o Mário Moutinho, a Lorena Sancho Querol, o Manuel Furtado Mendes, a Beatriz Crespo, entre alguns outros que vi nos corredores. A estes juntam-se os companheiros habituais de viagem, Fernando Cabral e a Natália Jorge, e a amiga Juliana Rodrigues Alves que sendo brasileira, juntou-se à comitiva portuguesa por ser aluna no doutoramento de Museologia da FLUP.

Foi, do que conheço, uma das melhores e mais profícuas participações portuguesas nas conferências gerais do ICOM. Não só pelas conquistas conseguidas pela museologia portuguesa, mas acima de tudo pela competência demonstrada e pela enorme participação relevante que tivemos em diversas áreas do panorama museológico internacional. Diria, que se não fosse as famosas “lunch-boxes” o ICOM 2016 teria sido perfeito.

Podem consultar aqui um pouco do que se passou em Milão através da #ICOMilano2016.

 

O CIDOC e ainda a participação portuguesa no ICOM 2016

CIDOC AMG

© Gabriel Bevilacqua

Tal como já tinha escrito aqui, este ano apresentei a minha candidatura à direcção do CIDOC. Não vou enumerar de novo as razões que me levaram a tomar esta decisão, poderão ler a minha declaração no link anterior, mas o certo é que consegui convencer os membros deste comité internacional, onde tanto já aprendi, a votar em mim. Ora portanto, este vosso amigo é agora membro ordinário (nunca tive um nome de cargo tão apropriado) da direcção do CIDOC.

É, antes de mais, um enorme orgulho para mim esta eleição. Mas acima de tudo é uma enorme responsabilidade que espero saber cumprir com a maior dedicação. A documentação de museus, tal como vários colegas frisaram, é uma tarefa fundamental para todas as actividades dos museus. No entanto, pode e deve servir o seu propósito de maneira mais eficiente e capaz, procurando lidar com as questões da gestão de informação nos museus de uma forma integradora e aberta, promovendo a acessibilidade e a utilização das colecções pelo público nas mais variadas formas e contextos. O contributo que tentarei dar diz respeito a uma maior cooperação entre comités internacionais e nacionais no sentido de todos contribuírem para melhorar a forma como documentamos e gerimos os nossos museus e colecções em benefício do público.

Estarei sempre à disposição de todos os que necessitarem de algo em que o CIDOC possa ser útil e terei todo o gosto ser o vosso canal de acesso à direcção deste comité internacional do ICOM.

 

A Conferência Anual do CIDOC

Importa salientar que os comités internacionais do ICOM aproveitam a conferência geral para realizar as suas próprias conferências anuais nos anos correspondentes. Esta situação tem algumas vantagens, mas no caso do CIDOC, um comité iminentemente técnico, levanta algumas questões operacionais por causa das reuniões dos grupos de trabalho. Pese embora estes constrangimentos, este ano o comité decidiu seguir o modelo de conferência completo, com reuniões de grupos de trabalho, chamada para artigos e assembleia geral. Além desta intensa actividade, decidiu também pela realização de um evento, fora de Milão, que procurou explorar, de forma mais prática algumas das questões em debate na documentação de museus. Ambos os programas (conferência e workshop) podem ser consultados na página do CIDOC.

Este ano tive a oportunidade de apresentar, com a Renata Motta, coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico (UPPM), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, uma comunicação intitulada “Implementing Standards at Sao Paulo State Secretariat of Culture museums”. Nela procuramos mostrar o enorme trabalho de estudo e implementação de normas que a SEC-SP tem desenvolvido na última década, efectivado recentemente pela aquisição de um novo sistema de gestão de colecções para os museus que tutela, para o qual a utilização de diferentes normas (terminologias e procedimentos) tem sido um eixo de actuação central.

Além da nossa comunicação, como poderão ver no programa da conferência, foram apresentados trabalhos muito interessantes nas diferentes áreas da documentação museológica. Em breve darei nota mais detalhada sobre as diferentes sessões num texto que será publicado no boletim do ICOM Portugal. No entanto, quero aproveitar a ocasião para vos dizer que muito mais do que saber destas actividades por voz de terceiros, é fundamental que todos os que se interessem por esta (ou outras temáticas) participem nas conferências anuais dos diferentes comités. São momentos de partilha e aprendizagem fundamentais para todos os profissionais de museus.

Para melhor perceberem o que perderam aqui fica o que foi dito nas redes sociais com a #CIDOC2016.

 

Um agradecimento final

Antes de concluir este texto, não posso deixar de agradecer profundamente a todos quantos me felicitaram nos últimos tempos por telefone, mail, redes sociais, etc. pela minha eleição. É importante ter o vosso apoio, mas mais importante será conseguir que mais alguns possam participar activamente nos trabalhos que se desenvolvem no âmbito do comité. Para deixar apenas um exemplo da forma como podem participar, indico-vos o trabalho que está a ser desenvolvido pelo CIDOC na criação de uma Enciclopédia da Prática Museológica (Encyclopaedia of Museum Practice* no original) e que tem como objectivo reunir os termos e conceitos utilizados na nossa prática, apresentando as suas definições em diversas línguas. E sim… já temos lá o nosso Português e o Português do Brasil. Só faltam vocês a contribuir.

Acabou o ICOM 2016 e já se prepara o ICOM 2019 (será em Kyoto no Japão, por isso comecem a poupar).

* a ideia de criar esta Enciclopédia teve origem nesta importante, mas esquecida obra do ICOM Hungria e CIDOC.