by Alexandre Matos | Nov 21, 2006 | Debate
Lia-se no Público de ontem no Local Porto o seguinte: "Em condições normais, o Museu Amadeo Souza Cardoso recebe 15 visitantes por dia. Desde o fim de Outubro, a média é a multiplicar por dez. Rodin, Kandinsky e Miró explicam". Isto numa notícia de Inês Nadais que tinha como título "RODIN, KANDINSKY E MIRó fazem disparar visitas" e sub-título "Os 15 minutos de fama do Museu Municipal de Amarante".
Uma excelente notícia pensarão. Eu, após alguma reflexão, fiquei com este pensamento: "será que só Rodin, Kandinsky e Miró é que chamam pessoas aos museus? se assim é porque raio é que não compramos alguns exemplares e os distribuímos pelos museus menos visitados?" É fácil. Porque não tem nada a ver com a presença das obras destes autores (dos quais eu gosto muito, confesso), mas antes com a forma como as exposições deveriam ser aproveitadas para trazer público aos museus e com os instrumentos utilizados pelos museus para fidelizar esse público ocasional. Até podia ser organizada uma exposição em Amarante com dezenas de Picassos, Dali e outras obras de grandes mestres que fosse visitada por milhões de pessoas, ávidas de cultura e ansiosas por disfrutar da arte dos mestres, mas se nada for feito para além da exposição, passados esses meses de euforia, voltamos a ter o Museu Amadeo de Sousa Cardoso novamente com 15 visitantes por dia.
O que fazer então? Como aproveitar estes eventos para fidelizar os públicos? Que iniciativas e caminhos devem ser tomados? Dava um bom debate, não dava?
by Alexandre Matos | Nov 16, 2006 | Debate
... ainda quero ver os estudos que vão contrapor ao que é noticiado hoje pelo Público e que revela que a "cultura" é responsável pela criação de 1,4% de riqueza no PIB, não falando sequer na capacidade geradora de emprego (mais qualificado do que outros sectores) e no facto óbvio de ser uma forma de diferenciação em relação aos nossos competidores na economia global (os E.U.A. conseguem-no com Hollywood e com o MacDonalds). Realmente não sei o que é preciso para se investir a sério na cultura em Portugal.
Pode ser que esteja para breve. Nós temos fama de sermos bons ouvintes nos estudos que são feitos no "estrangeiro", não é?
by Alexandre Matos | Out 16, 2006 | Debate, Museus
Alguém me sabe dizer em que ponto está este assunto? Estive a dar uma vista de olhos na web e não encontrei mais nenhuma notícia desde o anúncio da Sr.ª Ministra.
by Alexandre Matos | Out 13, 2006 | Debate, Notícias
Estão em ebulição as negociações para a escolha dos membros da direcção do novo museu. Um brasileiro, Ivo Mesquita, que já foi director da Bienal de S. Paulo auxiliado pela portuguesa Isabel Carlos (curadora da Bienal de Sydney em 2004) e pela responsável do departamento de pintura e escultura do nova iorquino MOMA são as prováveis escolhas para director e adjuntas, respectivamente, do futuro museu. No entanto, ainda não estão confirmados quaisquer destes nomes e o próprio comendador afirma ao Público que está em negociações com 15 candidatos ao cargo.
Confesso que me parece uma excelente ideia ir buscar pessoas com experiência internacional para a direcção do museu. Serão sempre outras perspectivas de analisar as questões inerentes à criação do museu. De certeza que serão boas contribuições para a museologia nacional.
PS: recordo, porque não sou esquecido, que não sou nem nunca fui muito favorável ao acordo estabelecido entre o estado e o comendador Berardo, mas sendo um dado adquirido ao menos que se façam as coisas como manda a sapatilha.
by Alexandre Matos | Out 12, 2006 | Debate
Leio hoje no Local Lisboa do Público (versão online) que um autarca de Montalegre, mais precisamente o presidente da freguesia de Pitões das Júnias, vai pagar do seu salário o ordenado de uma funcionária de um pólo do Ecomuseu do Barroso, bem como outras despesas da dita instituição. Este gesto altruísta do presidente da junta mostra bem o estado das coisas no que diz respeito aos museus em Portugal.
Queremos investir ou não neles? O Ecomuseu do Barroso é um projecto que visa atrair turistas e outros visitantes e assim dinamizar uma aldeia de uma região do país que está fortemente desertificada. Compensa o investimento neste projecto? Continuamos a ter a ideia que os museus são sorvedores de dinheiro? A administração pública não tem dinheiro para os fazer? Então porque começar sequer um projecto destes?
Repito que me parece uma atitude digna a do autarca, mas ao mesmo tempo parece-me a solução mais fácil (e a que traz menos problemas ao estado enquanto promotor do projecto). Não seria melhor arranjar um patrocinador? A câmara de Montalegre está assim tão mal de finanças? Não terá no quadro um funcionário daqueles que nada faz que possa deslocalizar para Pitões da Júnias? Esta nova empregada vai ter as contribuições para a segurança social asseguradas?
Mais do mesmo...
by Alexandre Matos | Out 3, 2006 | Debate
Qual dos meus amigos não se lembra de uma ida à biblioteca há uns anos atrás onde foi completamente "esquecido" pelo pessoal que o deveria encaminhar? Certamente haverá bastantes pessoas que também têm excelente experiências nas bibliotecas. Eu tive na primeira vez que visitei uma (a biblioteca Gulbenkian em Espinho), mas também tive uma experiência péssima na minha primeira visita à biblioteca Municipal do Porto. Não estava habituado àquela dimensão. Perdia-me a consultar o catálogo e fui mandado à fava por um funcionário a quem pedi auxílio. Devia pensar que o estava a gozar, quando realmente estava desesperado à procura de um livro para um trabalho de Metodologia da História.
Felizmente têm sido poucas as situações como estas, mas também já me tinham acontecido na Biblioteca Nacional de Lisboa, no entanto, é com um sorriso que vos digo que o serviço que a BN presta hoje em dia aos seus utilizadores é de topo. Muito eficientes, simpáticos e informados os seus funcionários, e com condições de utilização (salas, acesso à net, catálogo informatizado e acessível em qualquer lado) óptimas. A única coisa a resolver é mesmo a passagem dos aviões aqui por cima. Venha daí a Ota, não é?